Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Nuno Miguel Guedes

Aqui chegados já não pode haver meias-tintas. É altura de decidir e inúteis são só  os não-votos.


 


Há uma triste paisagem que é urgente deixar para trás: ainda hoje fomos brindados com mais uma fotografia. A alternativa habitual também só convence quem quer; e a trapalhada das putativas escutas em Belém só veio adensar a perplexidade.


 


A verdade é que os cenários pós-eleitorais sem um CDS reforçado deixam Portugal debilitado em termos de governabilidade e abrem caminho a anacronismos políticos que já deviam ter sido erradicados.


 


Posso ter desacordos pontuais com o programa do CDS (e tenho: a aceitação do acordo ortográfico, por exemplo) e até sugestões de complementaridade (em termos da mais do que necessária revisão constitucional e prosseguindo a ideia de que «não é aceitável impor ao Povo português uma injunção programática no sentido - único, compulsivo e perpétuo - (...)», seria bom que o conceito se estendesse ao artigo que obriga uma nova constituição à forma republicana de estado), a verdade é que em termos gerais é o único que me garante uma forma de governo sólida e de acordo com um centro-direita contemporâneo.


 


E há quem lá está: sentindo-me mais próximo deste ou daquele, pressinto um objectivo comum e de política arejada. É isso que podemos ajudar a confirmar.


 


Sem meias-tintas, portanto: este eleitor reitera o voto no CDS-PP não como mal menor, mas como bem necessário.


Publicado em 23/9/09 às 11:32
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
Nuno Miguel Guedes

No debate entre Paulo Portas e Manuela Ferreira Leite venceu a clareza da mensagem. E alguma razão.


 


Em princípio, os debates que juntam líderes políticos com uma mancha comum de eleitorado pela qual lutam prometem sempre mais. É uma tarefa difícil, a de gerir uma cortesia que é dada pelas semelhanças de propostas com a agressividade que é necessária para se fazer perceber as diferenças. Nesse respeito, Paulo Portas, como sound bite master que é, venceu em toda a linha, com uma ou outra excepção. Mas também é preciso dizer que este formato de debates pouco mais serve, do ponto de vista do espectador, do que apreciar a natureza humana de cada participante (leia-se: quem é que perde a cabeça primeiro, se há "sangue" ou não). Em matéria de esclarecimento real sobra pouco - mas apesar de tudo mais do que o formato "tudo ao molho" do Prós&Contras. Adiante.


 


Já se sabia à partida que a opção pela discrição e restrição à "política de verdade" de Manuela Ferreira Leite não funciona em televisão. Este assumido posicionamento anti-linguagem mediática (que é em si um posicionamento de estratégia mediática, mas isso fica para outro dia) torna tudo muito mais difícil para a líder do PSD. Portas é o contrário; e inicia o debate distanciando-se com clareza da mancha ideológica que poderia haver - o CDS não é um partido "supletivo" e sobretudo é "claro onde o PSD é ambíguo e diferente onde o PSD é igual ao PS". Bom ataque ao "Centrão", com a introdução do conceito de ruptura serena.


 


A dra. Ferreira Leite replicou bem e provavelmente com o primeiro sound bite correcto que lhe ouvi desde que foi eleita:"O nosso objectivo é que o próximo primeiro-ministro não seja José Sócrates". Bom de ouvir, directo e um pedido ímplicito ao  voto do eleitorado CDS.


 


Depois os temas foram discutidos do modo possível: Portas a reclamar para o CDS o "voto de clarificação" ao mesmo tempo que reclamava com o alegado abuso do seu tempo, como ontem Cristiano Ronaldo fazia sempre que caía no chão: sem razão. Mas explicou as áreas em que o programa do PSD lhe parecia ambíguo sem uma resposta clara de Manuela Ferreira Leite. A líder do PSD tentou entretanto colar o programa do CDS para a redução da Taxa de Rendimento Mínimo como uma medida injusta e de direita radical. Portas não conseguiu ou não teve tempo para a contrariar.


 


Mas foi na questão da Justiça e Segurança - quanto a mim os pontos mais sólidos do CDS - que Portas ganhou o debate. Não chegou a Ferreira Leite lembrar a abstenção do CDS aquando das alterações ao Código Penal (que ambos responsabilizam pelo aumento de criminalidade): Portas apresentou medidas concretas e não obteve resposta.


 


Sobre Sócrates, a coisa foi pacífica. Mas Manuela Ferreira Leite não consegue visivelmente conviver com a espinha que o PSD tem atravessada há quase 30 anos: Alberto João Jardim. À acusação de Portas de que na Madeira existe um regime "caciquista", Ferreira Leite remeteu a "asfixia democrática" para o continente. Muito mau, se lembrarmos a extraordinária resposta a uma jornalista que lhe perguntou sobre o deputado impedido pelo PSD de entrar na Assembleia Regional: "Sobre represálias políticas não comento". Provavelmente porque não têm importância...


 


Enfim. Foi uma vitória técnica de Portas, mais habituado a estas andanças e com sentido claro da mensagem que tem de passar. Manuela Ferreira Leite ainda teve tempo para um name-dropping dispensável ("Eu ontem estive com a Chanceler Merkel..."), mas a sensação que deixou foi a de uma professora muito aborrecida com um aluno que sabe mais do que ela.


 


(também publicado aqui)

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Publicado em 10/9/09 às 23:20
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Domingo, 2 de Agosto de 2009
Nuno Miguel Guedes

O João Galamba escreveu há alguns dias, a propósito deste post, sobre a sua concepção de conservadorismo e em particular a devoção que os conservadores alegadamente têm a Michael Oakeshott: «Os conservadores adoram Oakeshott - adoram a sua elegância e depuração estilística, a sua moderação, o seu anti-aventureirismo.», concluiu a partir de uma citação que fiz no referido post e que para poupar trabalho, repito:« «I am a  member of no political party. I vote – if I have to vote – for the party which is likely to do the least harm.». O que eu deveria ter feito seria completar a citação, que termina assim:«To that extent, I am a Tory».


 


Ora esta é apenas uma das sérias ironias que Oakeshott adorava fazer e que terá sido responsável pelo filósofo nunca ter sido aceite pelo establishment académico e político. Não lhe chamavam o Tory Dandy por nada. Mas isto não terá importância. São as conclusões que o João retira que me parecem simplistas e, o que é pior, erradas.


 


Os conservadores não adoram Oakeshott: este conservador e outros certamente: por tudo o que o João enumerou,  pela sua heterodoxia, pelo combate ao racionalismo na política - que levou aos desastres totalitários que conhecemos e que o marxismo, esse fatalismo positivista, é só um dos lados - e sim, por algum cepticismo. Mas outros conservadores preferirão Leo Strauss, Berlin ou Hayek, longe de Oakeshott (sobretudo o primeiro).


 


Não me parece que não defender a mudança como valor em si - que é o que aqui se trata - seja uma desvalorização da realidade; nem que o conservador, no seu casulo céptico, pratique uma não-acção desfasada com a realidade. Muitos foram os conservadores que ficaram na História pela capacidade de medir riscos e evitar a mudança pela mudança, agindo. Churchill é um caso óbvio.


 


Há de facto uma diferença de visão do mundo, e isso já todos percebemos. O que não se pode acusar um conservador é de não viver intensamente o dia de hoje, aproveitando-o e filtrando o que nele há-de bom, em detrimento de  algo que provavelmente será melhor. Para isso é preciso viver, que é como quem diz, estar imerso na realidade social e humana sem a ambição de a dirigir para cenários mírificos que nos aguardam mesmo ali à esquina. E, como o próprio Oakeshott defendia, saber que se é capaz de se ser conservador em relação à forma de governo e radical em todas as outras actividades.


Publicado em 2/8/09 às 23:31
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Nuno Miguel Guedes

No Simplex, saúda-se neste post a «disponibilidade de José Sócrates para dialogar com duas dezenas de bloggers das mais variadas tendências políticas», a propósito da blogoconferência desta tarde. A questão com que o Tiago Julião termina a sua intervenção  - perguntando se Manuela Ferreira Leite seria capaz de fazer o mesmo - é demagogia fruto da época e que não merece comentário.


 


Da minha parte, eu diria mesmo menos: é de saudar a disponibilidade de José Sócrates para dialogar.

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Publicado em 27/7/09 às 22:14
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Nuno Miguel Guedes











Nunca achei especialmente relevante partilhar com quem quer que fosse o sentido específico do meu voto. Não por tabu ou pirraça – apenas porque quem me conhece sabe das minhas matrizes políticas. E também da minha aparente alergia à militância partidária.


 


Por isso confesso que fiquei surpreso quando, no meio de um animado jantar, o Henrique Burnay me endereçou o convite para vir morar nesta Rua. Surpreso não pelo convite em si, mas pela rapidez e naturalidade do meu ‘sim’. Na verdade, sempre que achei relevante votar sempre votei CDS. Umas vezes por programas, outras por pessoas, outras por, na melhor tradição conservadora, me parecer o mal menor. Recuperando o meu filósofo político preferido, Michael Oakeshott: «I am a  member of no political party. I vote – if I have to vote – for the party which is likely to do the least harm.» E mesmo nessas negras circunstâncias acreditei que era o CDS.


Publicado em 27/7/09 às 18:42
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