Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Tomás Belchior

Agora que os governos, perdão, as empresas estão a apostar em força no carro eléctrico, deu-se uma ressurreição que não podia ser mais eloquente: a do Trabant. O Trabant eléctrico é mais uma prova de que, com os subsídios certos, uma má ideia pode sempre ser piorada. Espero que o Governo esteja de olho nisto. Se a parceria público-privada global em nome do ambiente consegue fazer renascer das cinzas o que é para muita gente o pior carro alguma vez produzido, tenho a certeza de que com o Sado eléctrico, o futuro será nosso. Parafraseando o Eng.º José Sócrates, não podemos cometer o erro de não fazer nada.


Publicado em 18/9/09 às 11:51
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
Carlos Martins

A teoria económia de comércio internacional tem duas ramificações importantes actualmente.


 


A primeira (e mais antiga) sugere que há vantagens comparativas entre os países, que será daí que surgirá a afectação dos recursos e meios de produção. (que tipo de produtos a exportar, de produção de capital intensivo ou mão-de-obra intensivo...)


 


A segunda segue a perspectiva das economias de escala, onde não havendo padrão de trocas pré-definido por vantagens comparativas, há a ideia de que poder-se-á melhorar a riqueza em relação a uma situação de autarcia através do aumento da produção de um determinado bem em que o custo de produção é mais que proporcionalmente decrescente. 


 


Há portanto, duas correntes diferentes que sugerem que há ganhos em sair de uma situação de autarcia e abrir ao comércio internacional (com ou sem barreiras).


 


No primeiro caso, mais liberal, que começou em David Ricardo, os ganhos baseiam-se nas diferenças relativas de meios de produção, avanços tecnológicos e dimensão das economias.


 


No segundo caso, ainda assim também liberal, apresentado pelo agora Nobel, Paul Krugman (que curiosamente não é propriamente conhecido pelas suas posições a favor do capitalismo no seu estado mais puro... ), defende que é através das economias de escala e na diferenciação que os ganhos no comércio internacional podem surgir. Em nenhum caso sugere o proteccionismo como solução.


 


O proteccionismo é como a ilusão monetária (ou qualquer substância alucinogénica), tem um efeito positivo curto prazo e perverso (e muito negativo) no longo. Dá ilusão de riqueza interna, quando de facto há empobrecimento relativo ao exterior (compra-se os bens mais caros que seria possível e há gastos públicos para subsidiar a produção, o que provoca desvalorização da moeda e/ou perda de competitividade). Há uma afectação sub-optima dos recursos. E, por último, há a retaliação do exterior, o que no caso de uma pequena economia (supostamente) aberta como a nossa seria devastador para a produção interna.


 


A balança comercial ser deficitária, per se, não é um problema; a incapacidade de ser competitivo sim... Ou seja, o problema está essencialmente em Portugal não conseguir ser competitivo, e isto não se resolve com subsídios, resolve-se com políticas de incentivos abrangentes que premeiem os melhores e acabe com os ineficientes. 


Publicado em 24/8/09 às 12:41
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
Carlos Martins

São assim os socialistasConfundem externalidades negativas com subsídios, procura com oferta. É natural, para quem olha para a economia como uma variável controlável e controlada do Estado.


 

"Se o Carlos tivesse optado por contemplar a possibilidade de falhas de mercado - externalidades e afins - o post deixaria de fazer sentido."

 

O que escapou ao João Galamba é que o subsídio por si próprio é tambem ele uma externalidade. E sim, pode ser aplicada para tentar atenuar uma externalidade negativa, mas nesse caso há perdas para para um dos agentes e ganhos para a sociedade como todo (por isso é que há políticas...). No post que coloquei anteriormente não cataloguei os subsídios de errados, apenas expus como são ineficientes e como há consequencias (como para tudo na vida) das escolhas que se fazem. Não é possível promover subsídios sem penalizar outro sector. É esse tipo de escolhas que cabe à política. E é a esse nível de elevação intelectual que o CDS se coloca para definir as suas escolhas políticas.

 

"Os pressupostos do Carlos - que a situação inicial é eficiente, que o preço de mercado contém toda a informação relevante, em suma: que o mercado livre tem sempre razão - invalidam, a priori, e por definição, a possibilidade de subsídios e intervanção pública na economia."

 

Mais uma afirmação baseada em argumentos pouco sólidos (estas sim são risiveis meu caro...). Por isso é que esta teoria é enunciada nas primeiras cadeiras de economia, para não haver quem deturpe os modelos mais complicados e que traduzem melhor a economia real. Contudo, a aproximação é de longe melhor que a adivinhação que é plasmada em afirmações como essa.

 

De qualquer forma, o facto é que para se perceber se há uma distorção nos preços e na sua eficiencia, é necessário partir da situação optima de eficiencia, parece-me obvio...

 

E sim, eu acredito na eficiencia de mercado e que os preços contém toda a informação publicamente disponível, mas não usei essa minha crença (chamemos-lhe assim) para apresentar o modelo básico de S e D. E ao invés do que é dito, os pressupostos do modelo (que obviamente não é meu...) não invalidam a intervenção pública, antes quantificam a perda (ineficiencia) que provocam (se ler o link, está lá como se faz as contas...).

 

"No caso de uma economia real - dinâmica, complexa e caracterizada por falhas de mercado e assimetrias de informação - estes gráficos não servem para nada."

 

Mas claro, já faltava a negação ideológica. Estes gráficos são uma ferramenta fundamental para a tomada de decisão. Nota-se que os socialistas nem olham para eles...

 

"Então quando acrescentamos a dimensão histórica de uma economia, o défice externo a necessidade de requalificar o tecido económico de um país,  "argumentos" destes tornam-se simplesmente risíveis."

 

E também faltava a confusão retorica para evidenciar uma posição que não tem bases de sustentação. Se calhar é melhor explicar: 1) vai pagar o défice externo subsidiando os produtores ? 2) vai pagar o défice externo subsidiando os consumidores ? 3) como vai subsidiar o subsídio ? (esta eu respondo.. com dívida pública...) 4) a requalificação do tecido económico ?! é com subsídios ?! acha mesmo que isso é sustentável no longo prazo ?!...

 

Argumentos falaciosos destes já estamos nós fartos ! E já agora, de governos que baseiam as suas decisões neles, também!

Publicado em 21/8/09 às 16:39
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Adolfo Mesquita Nunes

One has only to examine matters closely to be convinced that this is what the sophism I am combatting amounts to. Do what you will, gentlemen; you cannot give money to some without taking it away from others. If you absolutely insist on draining the taxpayer dry, well and good; but at least do not treat him like a fool. Do not tell him: "I am taking this money from you to repay you for what I have already taken from you."



Frédéric Bastiat


Publicado em 21/8/09 às 13:08
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Tomás Belchior

Continuando a resposta ao Hugo Mendes:


 


Ao contrário do que o Hugo diz, não "há n casos em que só apoio público permite sair de situações que são caracterizadas por uma armadilha". Há n casos em que o poder político acha que deve intervir para seu próprio benefício. Mais uma vez, o caso das renováveis é, como diz o Hugo, "claríssimo". Das quatro grandes soluções para tentar resolver o problema das emissões (subsídios, regulação, sistemas de "cap and trade" e impostos sobre as emissões) o governo optou pelas que envolvem maior discricionariedade do poder político em detrimento da eficiência económica. Como disse aqui e aqui e também em resposta ao João Galamba, a tomar alguma medida, o governo devia ter optado pelos impostos sobre o carbono, que facilitariam simultaneamente a inovação tecnológica, obrigariam a verdadeiras alterações de comportamento pela via da internalização dos tais custos sociais, e não implicariam penalizações desnecessárias para o país. Curiosamente, não o fez. Como é que isso se explica?



Em relação a recomendações de leitura, eu contraponho o seu Dani Rodrik com um William Easterly no seu "The Elusive Quest for Growth", onde ele demonstra com clareza que os Estados, ao contrário que o Hugo diz, não aprendem. Cometem os mesmo erros que cometeram no passado, vezes sem conta. Se o próprio Hugo admite que as políticas industriais só funcionam em certas condições, porque razão o Estado não garante primeiro essas condições e só depois equaciona políticas activas?



Só para acabar, é óbvio que o governo não tem direito ao dinheiro que cobra através dos impostos. O Estado não tem direitos, só deveres.


 


Publicado em 21/8/09 às 12:10
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Carlos Martins

Este é um normalíssimo e muito simples gráfico de S e D (oferta e procura) que se aprende nas primeiras cadeiras de economia:


 



 


Fonte: ingrimayne.com


 


Sem querer tirar a ansiedade de muitos de vocês para descodificar o gráfico e argumentar para um ou outro lado, vou só relatar a evolução dinâmica espelhada na figura.


 


No primeiro momento ("old price" e "old quantity"), a oferta e procura encontram-se livremente. As quantidades produzidas são as que optimizam a afectação eficiente de recursos da economia.


 


Depois aparece o subsídio, que artificialmente desvia paralelamente a curva de oferta para baixo, o que implica que: 1) o consumidor pense que o preço está no óptimo de oferta e procura, e portanto, está disposto a comprar mais, dada a nova curva de oferta; 2) o produtor considere a sua curva de oferta no mesmo nível (para alguma coisa obteve o subsídio...), e portanto, dada a nova quantidade que os consumidores estão dispostos a consumir ("new quantity"), consideram que o preço está em acima do inicial ("price sellers see").


 


Resultado: os produtores aumentam a produção, mas como os consumidores vêem a nova curva de oferta, estão apenas dispostos a pagar um preço mais baixo. Parece excelente. Só há um problema. Os recursos da economia como um todo são escassos, e neste caso são esbanjados para melhorar artificialmente o preço de um bem, ou seja, há um custo para a economia como um todo. Há muitos outros bens (ou impostos) que vão ser negativamente afectados por esta distorção.


 


Este exemplo é para pão. Mas serve para pão, batatas, carros..ou electricidade.


 


Agora imaginem que para quase tudo havia subsídios (quão longe da verdade está esta afirmação!?). Quem paga o custo para a sociedade ? A sociedade! Ou seja, a única consequência do subsídio é a perda de eficiência e de competitividade...


 


(há em qualquer manual de economia, mas a título de exemplo para quem quiser ver mais em detalhe uma analise simples a este gráfico:


 http://ingrimayne.com/econ/optional/effic/EfficiencyMark2.html)


Publicado em 21/8/09 às 08:46
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Sábado, 1 de Agosto de 2009
Rua Direita

"Tenho o subsídio de reinserção social, já recebo uns trocos para fazer o 12º ano e agora ainda querem que eu tenha filhos se quiser receber mais algum: não tenho tempo para nada, quanto mais para ter filhos!"


Publicado em 1/8/09 às 14:07
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