Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Tomás Belchior

Agora que os governos, perdão, as empresas estão a apostar em força no carro eléctrico, deu-se uma ressurreição que não podia ser mais eloquente: a do Trabant. O Trabant eléctrico é mais uma prova de que, com os subsídios certos, uma má ideia pode sempre ser piorada. Espero que o Governo esteja de olho nisto. Se a parceria público-privada global em nome do ambiente consegue fazer renascer das cinzas o que é para muita gente o pior carro alguma vez produzido, tenho a certeza de que com o Sado eléctrico, o futuro será nosso. Parafraseando o Eng.º José Sócrates, não podemos cometer o erro de não fazer nada.


Publicado em 18/9/09 às 11:51
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
Tomás Belchior

Desenvolver energias renováveis vai tornar o mundo mais seguro. Pelo menos o mundo desenvolvido, que está mais dependente do petróleo e do gás natural. É este um dos argumentos que justifica o proteccionismo que serve de base a uma espécie de populismo ambiental que se alastrou pelos países consumidores dessas energias.


 


Num artigo da última Foreign Policy intitulado "Is a Green World a Safer World?", o autor defende que a "sustentabilidade" vai eliminar alguns dos problemas de segurança actuais mas, como seria de esperar, vai substituí-los por outros: guerras comerciais como subproduto do "proteccionismo verde", instabilidade associada ao futuro incerto dos actuais produtores de energia, problemas de segurança inerentes a uma rede alargada de centrais nucleares, agravamento do problema de fornecimento de água a algumas regiões do globo, potenciais conflitos entre o Chile e a Bolívia, detentores de três quartos das reservas mundiais de lítio, que podem destruir o futuro dos carros eléctricos que o Eng.º Sócrates vai impor ao país.


 


Esta é só mais demonstração de uma realidade incontornável de qualquer política pública: as reformas são feitas para resolver problemas mas não fazem mais do que criar outros. Ao contrário do que parece, isto não é um argumento contra as reformas, é um argumento a favor da humildade na condução dos destinos do país.


 


Publicado em 25/8/09 às 12:10
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
Tomás Belchior

"3-Não é possível dizer que a estratégia económica é um bem público e isso justifica a intervenção do estado, não apenas "aliviando", mas promovendo activamente?"


 


Não. Ver resposta à primeira pergunta. Para tornar uma estratégia económica pública num bem público, teria de se assumir que a falta de coordenação entre estratégias privadas é uma falha de mercado (presumo que seja este o problema do João) e que a intervenção do Estado para colmatar essa hipotética falha teria obrigatoriamente de melhorar a situação, o que não é manifestamente o caso. Só por milagre, mas acho que esse nível de exigência seria injusto para com o governo.


 


Mesmo aceitando que uma estratégia económica pública pudesse caber na definição de bem público, nunca seria um chamado bem público puro (como a segurança, defesa, etc.), ou seja, dependendo do objectivo dessa estratégia pública, há várias maneiras de a privatizar com ganhos de eficiência. No caso das emissões de carbono, bastaria que as empresas internalizassem os custos dessa falta de coordenação, por exemplo, através da tal aplicação de impostos sobre as emissões que o governo preferiu ignorar. Mais uma vez, dizer que não existem condições para essa "privatização", implica medidas para criar essas condições, não a insistência no erro.


Publicado em 20/8/09 às 18:48
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Tomás Belchior

"2-Será verdade que os preços de mercado contêm toda a informação relevante e que, por isso, os subsídios são injustificados?"


 


Sim, em determinadas condições. Condições que, obviamente, não se verificam hoje em dia. Veja-se o exemplo do défice tarifário. Dizer que, como o mercado está distorcido hoje em dia, precisamos de subsídios para corrigir essa distorção é semelhante a defender aquela solução de tirar as caixas dos multibancos dos tribunais para impedir assaltos. O que interessa é impedir o crime, para permitir a utilização dos multibancos, não o contrário. No caso do sistema de preços, o que interessa é garantir que os preços contêm a informação relevante e não complementar a informação "irrelevante" com outro tipo de informação "irrelevante".


 


Os subsídios são injustificados porque o mercado livre é o sistema mais eficiente para alocar recursos. A sua existência é obviamente garantida pela acção do Estado e a sua eficiência também o será, se essa acção for correcta e limitada. No caso das emissões de carbono, ao optar por subsídios e regulamentação em vez de um sistema de impostos sobre essas emissões, o governo resolveu claramente ignorar a questão da eficiência, apenas por critérios políticos. Ou seja, por critérios políticos, resolveu penalizar desnecessariamente o país em nome da salvação do planeta, ou da redução do défice externo, ou da EDP. Para dizer a verdade, já não sei bem qual era a justificação, e o governo provavelmente também não.


 


Publicado em 20/8/09 às 16:57
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Tomás Belchior

Continuando o folhetim com as respostas às perguntas do João Galamba:


 


"1-Será verdade que políticas públicas activas não promovem a inovação?"


 


Não faço ideia e o João também não. Como já escrevi, a inovação tem uma característica complicada para quem a tenta planear: é, por definição, imprevisível. Políticas públicas activas para promover a inovação são o equivalente a usar o dinheiro dos contribuintes para jogar no Euromilhões. Se por acaso sair o primeiro prémio é mérito da "política activa"? Justifica-se fazê-lo em nome de alguém, com o seu dinheiro e de forma coerciva?




Sendo a inovação imprevisível, faz sentido propor, como o PS faz no seu programa de governo, "assegurar que, até 2015, 50% dos veículos comprados pelo Estado sejam híbridos ou eléctricos"? Ou ter como objectivo que, em 2020, 750.000 veículos em circulação sejam eléctricos? Parece-me óbvio que não, a não ser para justificar o "investimento" do dinheiro dos portugueses nessas tecnologias. A primeira regra quando nos encontramos num buraco é parar de cavar. Se em 2020 os carros eléctricos não passarem de uma reencarnação do Sado de quem será a responsabilidade? Quem pagará a factura? O Eng.º Sócrates?


 


O que é que o Estado pode fazer pela inovação? Para além de criar as condições para o crescimento que referi no primeiro post, fazer com que o financiamento das universidades dependa cada vez mais de capital privado e sobretudo do resultado do ensino e da investigação dessas universidades. Quem deve avaliar esses resultados? Os alunos, as empresas e a sociedade em geral. O Estado, quanto muito, deve ter um papel passivo neste processo. 


Publicado em 20/8/09 às 15:26
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Tomás Belchior

Em resposta ao João Galamba, gostava de começar por uma citação em jeito de declaração de interesses: "A plan to resist all planning may be better than its opposite, but it belongs to the same style of politics". Quem o diz é o proverbial Michael Oakeshott e resume bastante bem a minha visão do liberalismo. Isto só para evitar rebater extrapolações abusivas, como algumas que o João faz a partir do que eu escrevi aqui.



De resto, o João parte do princípio de que se não houver uma "estratégia de desenvolvimento pública", não há estratégia de desenvolvimento. Eu parto do princípio de que as estratégias de desenvolvimento individuais, cuja existência o João nega, são preferíveis a estratégias de desenvolvimento públicas. Porquê? Por uma razão simples: ninguém é tão consciencioso a gastar o nosso dinheiro como nós próprios. Isto para nem entrar na questão da legitimidade do Estado em recolher coercivamente o dinheiro dos portugueses, independentemente do resultado dessa recolha.



No caso das renováveis, como no da educação, como no da formação profissional, o Estado não se está a limitar a "apostar" numa determinada estratégia, está a dizer aos portugueses que essa aposta dará melhores resultados do que as suas "apostas" individuais e, com esta argumentação, a limitar deliberadamente a liberdade de cada um deles de prosseguir essas mesmas apostas individuais. Ou seja, para o João Galamba, os portugueses têm o dever de financiar "medidas de requalificação públicas" (?) especulativas, sendo irrelevantes os seus custos de oportunidade e a moralidade dessa imposição. Além disso, assume que, na presença de falhas de mercado, a actuação do Estado será sempre benéfica e que o investimento privado, não sendo público, não é mais do "desinvestimento". Se isto não é um "apriorismo ideológico" igual ao que o João me imputa, não sei o que será.



O João diz também que a minha crítica do proteccionismo é "maximalista" e "acrítica". Se quiser eu explico-lhe porque razão o proteccionismo é errado. Posso explicar-lhe porque  razão não serve para proteger indústrias, porque razão não salva empregos, porque razão é mau para o país. Pensei que era um debate que estava enterrado mas se for necessário podemos exumá-lo. Também posso explicar-lhe porque razão os subsídios têm efeitos perversos. Lamentavelmente essas razões vão bem para além do "apriorismo ideológico".



Eu sei o que espero do Estado. Em termos de políticas de inovação e de crescimento, já o escrevi aqui, e ao longo da série de posts sobre as energias renováveis. O João acha que como programa político é curto, minimalista. Eu acho que para início de conversa é suficiente. Gostava sinceramente de viver num país onde o governo tivesse a humildade de começar por fazer bem o que é óbvio e só depois se pusesse a discutir outras aventuras.


Publicado em 20/8/09 às 13:17
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2009
Tomás Belchior


 


O domínio das políticas energéticas e ambientais parece ser um território sacrossanto do governo PS, onde reina o unanimismo. No Rua Direita não gostamos de unanimismos e sobretudo não gostamos de políticas que empobrecem o país.  No seguimento do que fizemos para os temas dos impostos e das políticas de natalidade, propomos nesta série de posts uma visão diferente da do Eng.º Sócrates. O  que se pretende é desmontar os falsos argumentos que justificam as apostas do governo nesta área e apresentar políticas alternativas. Ou seja, fazer oposição.


 


O Futuro Verde do Eng.º Sócrates


O Mito da Independência Energética


O Mito da Independência Energética (2)


O Mito da Independência Energética (3)


O Paradoxo dos Subsídios Energéticos


Energia Renovável e o Défice Externo


Energia Renovável e o Défice Externo (2)


Energias Renováveis e a Criação de Emprego


Política Ambiental de Mercado


Salvar o Mundo sem a Ajuda do Eng.º


Competitividade, a Política Esquecida


A Inovação como Solução Energética


A Inovação como Solução Energética (2)


A Inovação como Solução Energética (3)


O Papel das Flutuações de Preços


Políticas Ambientais Alternativas


Impostos sobre o Carbono


Impostos sobre o Carbono (2)


 Conclusões de uma Análise


Provocação fiscal de política ambiental


Pergunta de algibeira ambiental


 Energias Renováveis e Segurança


Publicado em 18/8/09 às 17:18
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Tomás Belchior

Passando em revista o que tem sido a política do governo na área das energias renováveis conclui-se que não existe uma política digna desse nome. Existem medidas avulso, muitas vezes contraditórias, sem um fio condutor identificável para além de uma necessidade de aumentar as receitas fiscais.


 


O exemplo dos impostos sobre o carbono é paradigmático: seria a política simultaneamente menos penalizadora para o país e mais em concordância com os nobres objectivos do discurso oficial, mas como obrigaria o governo a fazer verdadeiras escolhas, foi parar à gaveta. A ideia de abdicar de algo para salvar o planeta sem lesar o país não agrada ao PS. É preferível tirar coelhos da cartola e depois aumentar os impostos para financiar o espectáculo. Trata-se de uma lógica que pode revelar coerência ideológica mas é também uma forma acobardada de fazer política que decididamente não serve o país.


Publicado em 18/8/09 às 16:48
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Tomás Belchior

Por muito que custe ao PS aceitar este facto, as emissões de carbono só serão reduzidas quando quem as produz pagar o seu verdadeiro custo, implementando o tal princípio do poluidor-pagador de que o Carlos fala aqui. Isso implica aumentar o preço da energia de forma generalizada, sendo a única forma de não penalizar no imediato o crescimento da economia, a de acompanhar os novos impostos com reduções de impostos noutras áreas. Por exemplo, dando benefícios fiscais aos mais pobres para compensar a regressividade dos impostos sobre o consumo.



É claro que avançar com esta solução significaria fazer verdadeiras reformas, reformas com resultados reais e custos políticos, não as que o governo anda a prometer há quatro anos e meio mas que aparentemente está a guardar para uma data futura.


 


Publicado em 18/8/09 às 16:30
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Tomás Belchior

Os impostos ligados especificamente às emissões poluentes são a solução mais eficiente para reduzir essas mesmas emissões e facilitar simultaneamente a adopção de energias renováveis e a inovação. Estes impostos reduzem o custo relativo das energias renováveis, tornando-as mais rentáveis e premeiam quem, de facto, altera comportamentos.



Em Portugal, curiosamente, o governo preferiu ignorar esta via. Limitou-se a ajeitar mais uma subida de impostos com a incipiente componente ambiental do Imposto Automóvel e, de resto, optou pelos métodos menos eficientes de lidar com a questão: subsídios e regulação. Ou seja, distorções com critérios meramente políticos e desperdício.


 


Publicado em 18/8/09 às 16:27
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Diogo Duarte Campos

O Tomás Belchior já quase que esgotou o tema, mas, ainda assim, tomava a liberdade de acrescentar o seguinte:


 


1. Embora seja pessoalmente favorável ao desenvolvimento das energias renováveis, também não se pode deixar de ter presente que a tarifa das renováveis é subsidiada por todos os Portugueses. Ou seja, todos pagamos mais cara a electricidade para que se possam desenvolver fontes renováveis.


 


2. Assim, a aposta nas renováveis tem que ser devidamente contrabalançada, sob pena do mix energético se tornar totalmente insustentável, implicando o empobrecimento do País.


 


3. Destarte, apostar apenas nas renováveis poderá até ajudar a combater o défice externo. Mas, com sinceridade, essa não é a questão: o que se deve saber é se o combate ao défice externo implica ganhos para País, pois, só neste caso ele se justiçará.


 


4. Quando é que existirá um debate sério sobre a energia nuclear, porventura a única forma de, por um lado, “subsidiar” as renováveis mantendo o mix energético num nível aceitável e, por outro lado, cumprir os compromissos de Quioto?


Publicado em 18/8/09 às 16:10
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Tomás Belchior

Quem diz que é importante isolar o país da próxima subida do petróleo até aos $200 por barril, revela uma compreensão algo limitada de como funciona o sistema de preços. A subida do petróleo até aos $200 (ou $300, ou $1000) por barril, teria duas consequências: a subida do preço da energia acompanhada pela correspondente descida do seu consumo e das emissões de carbono, e o investimento no desenvolvimento de alternativas.


 


Os que defendem o proteccionismo como forma de salvação do planeta, deviam era rezar para que os preços do petróleo voltassem a subir e se mantivessem altos. Podiam culpar os especuladores pela desgraça e apropriar-se dos bons resultados dos mecanismos de mercado a funcionar em pleno. Do que temos visto nos últimos tempos, onde a crise internacional é justificação para tudo o que corre mal ao governo mas onde qualquer resultado positivo é fruto da sua acção clarividente, presumo que este seja um tipo de "azares" ao gosto de S. Bento.


 


Publicado em 18/8/09 às 15:53
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Tomás Belchior

Ainda no que diz respeito à inovação e à qualificação, há uma outra medida importante a tomar: fazer com que o financiamento das universidades dependa cada vez mais de capital privado. Afinal de contas, os "clientes" das universidades (e das escolas) são os alunos, as empresas e a sociedade em geral. Não é o Estado. O financiamento privado iria obrigar as universidades a competirem umas com as outras para sobreviver, não tendo outro remédio senão melhorar o seu ensino e a produtividade da sua investigação. Resultados que, por preconceito ideológico, não interessam aos socialistas e que, esses sim, poderiam fazer alguma coisa pela inovação em Portugal. 


Publicado em 18/8/09 às 15:27
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Tomás Belchior

Sobre a questão da inovação, vale a pena ler isto (obrigado à Clara pelo link). Em 1898, o primeiro congresso internacional de planeamento urbano via como problema insuperável a questão do estrume, as emissões de carbono da altura. Também nessa altura o cenário era apocalíptico. No entanto, cá estamos nós, a salvo do dilúvio de esterco. Estes "milagres", resultantes do engenho humano, aparentemente não estão ao alcance da compreensão do governo.


 


Publicado em 18/8/09 às 12:45
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Tomás Belchior

Continuando a apresentação de soluções alternativas, viremo-nos para a questão da dependência energética.


 


Reduzir a dependência energética nos moldes em que o governo pretende fazer é um absurdo. A diversificação energética só acontecerá, sem prejudicar o crescimento, quando houver inovação tecnológica. Até lá, a única coisa que os governos devem fazer é facilitá-la, garantindo que não há distorções nos diferentes mercados que envolvem o sector energético. Ou seja, não dar subsídios a nenhum dos agentes envolvidos, não deixar que grupos de interesse manobrem a legislação a seu favor, não implementar regulamentação que crie incentivos perversos e imponha custos desnecessários. Mais uma vez, as políticas do Eng.º Sócrates não cumprem nenhum destes critérios. "Apostar" numa tecnologia em detrimento de outras não é investir na inovação, é especular com o dinheiro dos portugueses.


Publicado em 18/8/09 às 12:40
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Tomás Belchior

Começando a proposta de alternativas pela questão do défice externo, é importante referir que há quem defenda que um défice elevado é normal em economias em vias de desenvolvimento, quando estão em processo de convergência com economias mais ricas. Isto deve-se ao facto de os países mais pobres teoricamente oferecerem melhores oportunidades de investimento, atraindo capital estrangeiro que foge de economias onde o rendimento marginal de cada projecto é baixo em direcção a economias onde esse rendimento, sendo também mais incerto, é potencialmente mais alto. Em teoria, esta análise seria aplicável a Portugal se não fosse o pequeno pormenor de nós não estarmos a convergir com a Europa, mas sim a divergir.



Sendo assim, as questões do défice externo e dos empregos qualificados são, em larga medida, problemas de competitividade que se resolvem criando as condições para o crescimento do país que eu descrevi aqui. Ou seja, garantir direitos de propriedade e o primado da lei, implementar políticas macroeconómicas que visem a estabilidade, assegurar mercados concorrenciais, abrir o país ao comércio e ao investimento externo, e desenvolver uma cultura de empreendedorismo. Lamentavelmente, as políticas do governo para a área de energia não vão ao encontro de nenhum destes critérios. Limitam-se a tentar resolver o problema deixando o país mais pobre. Para isso já temos a crise internacional, não precisamos da ajuda do Primeiro-Ministro.


Publicado em 18/8/09 às 11:27
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Tomás Belchior

A defesa da actuação do governo na área das energias renováveis começa invariavelmente com lirismo. Só posteriormente são cozinhados uns argumentos que supostamente justificam a transcrição desse lirismo para o Diário da República. Tudo muito arrumadinho, como se o mundo esperasse que nós nos organizássemos. O resultado não podia ser brilhante. Investir "rapidamente e em força" nas energias renováveis é, na melhor das hipóteses, uma concretização errada de um objectivo meritório. Normalmente não revela mais do que uma perigosa ignorância.

 

Ao contrário do estilo sonhador da engenharia social que o PS preconiza nas suas políticas, por aqui prega-se a prudência na utilização do dinheiro dos portugueses. Uma prudência infelizmente validada por ínumeros exemplos históricos de modas que iriam resolver o problema do desenvolvimento de uma vez por todas. Modas que também surgiram por entre gritos alarmistas e que vão sendo recuperadas ciclicamente à medida que os seus resultados desastrosos são esquecidos. As energias renováveis, no modelo que o governo defende para o país, são apenas a sua última reencarnação.



Sendo assim, depois de uma análise resumida de cada um dos argumentos que serve de fundação a este último equívoco transformado em religião, chegou a altura de apresentar alternativas. Como não poderia deixar de ser, estas passam em grande parte por desfazer o que foi feito de errado até aqui. No entanto, há alimento para os mais intervencionistas. Trata-se é de um alimento bastante menos indigesto do que a zurrapa que o PS nos tem servido.


Publicado em 18/8/09 às 01:25
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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
Tomás Belchior

Outro dos mitos sobre a aposta na energias renováveis é o de que esta aposta cria empregos. Como de costume nestas análises custo-benefício, o que fica de fora é o custo de oportunidade. Ou seja, medem os impactos directos, sejam eles positivos ou negativos, e chegam a uma conclusão. O que não medem é as consequências indirectas.



Que consequências indirectas são essas? Tal como nas outras formas de proteccionismo, as consequências são o empobrecimento do país como um todo à conta de enriquecimento de um sector específico e do aumento do custo da energia. Um exemplo gritante desta transferência de riqueza é o da certificação energética de edifícios que se tornou obrigatória para todos os imóveis. Não se sabe qual o efeito desta regulamentação nas emissões de carbono, o que se sabe é que de repente passou a ser altamente lucrativo ter uma empresa de certificação e uma Agência para a Energia.



Através da regulamentação, o Estado transferiu dinheiro da generalidade dos portugueses para os certificadores, em nome do optimismo, da audácia. Citando o Eduardo Pitta: "Pobreza é algibeira. Não é um ramo do existencialismo".


Publicado em 14/8/09 às 11:56
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Tomás Belchior

No Simplex acharam risível a minha comparação das políticas que visam "reduzir a nossa dependência energética" com a ideia de autarcia que era muito apreciada por uma série de regimes pouco recomendáveis. O que vale é que essa escola de pensamento produziu outros exemplos históricos que servem para ilustrar o efeito desta forma de reduzir o nosso défice externo. Um desses exemplos até tinha um nome apropriado: política de substituição das importações.


 


Mais uma vez, tal como o conceito de autarcia, a substituição de importações foi uma ideia peregrina que esteve muito em voga no século passado em sítios que hoje em dia são um exemplo para qualquer país que se queira desenvolver como, por exemplo, a América Latina e África.



Estas políticas supostamente tinham dois grandes objectivos: desenvolver a indústria local de modo a que não ficassem dependentes das exportações de matérias-primas e impedir que a concorrência de bens importados impedisse o processo de aprendizagem necessário a esse desenvolvimento local. Ou seja, numa palavra, proteccionismo. É assim que o Eng.º Sócrates quer reduzir o nosso défice externo. 


 


Publicado em 14/8/09 às 11:17
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009
Tomás Belchior

A propósito dos meus posts sobre a independência energética fui mimoseado no Simplex com um paternalismo que considero tocante mas que, como resposta, é pobrezinho. Além do paternalismo, responderam-me com o défice externo. A tese parece ser a  de que temos uma conta para pagar ao estrangeiro e essa conta é culpa da importação de energia, logo, precisamos de produzir energia localmente. Vamos então olhar para a questão do défice externo.



O défice externo existe porque a economia portuguesa não é competitiva, logo, para reduzir o défice externo é preciso tornar a economia competitiva. Isto é óbvio. O que não é óbvio é que a produção de energia renovável seja competitiva, muito menos sem subsídios públicos. Ou seja, o governo resolveu investir directamente o dinheiro dos nossos impostos num sector específico da economia e vai forçá-lo a ser competitivo. Como? Com mais dinheiro dos nossos impostos. Porquê? Porque isso é progresso.


 


Publicado em 13/8/09 às 17:52
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Tomás Belchior

Partindo do princípio (discutível) de que os impostos deviam servir fins políticos e não apenas para angariar fundos injustificadamente, a fiscalidade portuguesa relacionada com o ambiente é outro exemplo da propaganda do Eng.º Sócrates.



Uma das razões que têm impedido a adopção generalizada das energias renováveis é a sua relativa ineficiência. Ou seja, comparativamente com as energias "sujas", as energias "limpas" são caras. Aqui entram os subsídios à produção e ao consumo de energia "limpa" que deviam baixar artificialmente o preço relativo dessas mesmas energias e facilitar a sua propagação. Até aqui estamos no domínio das opções políticas. Concordando-se ou não com a transferência pela via fiscal de dinheiro dos contribuintes para as empresas do sector energético "limpo" e com as políticas de controlo de preços por parte do Estado, pelo menos estamos no domínio da coerência.



O que já não é coerente é, simultaneamente com os subsídios "limpos", estarmos a subsidiar igualmente a energia "suja" através da figura caricata do défice tarifário. Para que serve um défice tarifário? Para baixar artificialmente o preço ao consumidor, diluindo no tempo (ou seja, em impostos) o verdadeiro custo da energia. Do que me lembro da lei da oferta e da procura, se tudo o resto se mantiver constante, para reduzir a procura de um determinado bem, basta aumentar o seu preço. No entanto, em Portugal parece que, das duas uma, ou a lei da oferta e da procura não se aplica, ou o governo não está verdadeiramente interessado em diminuir a procura de energia "suja" e  o custo relativo das energias renováveis.


 


Publicado em 13/8/09 às 15:40
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Tomás Belchior

Ainda sobre este tema, foi publicado no final de 2008 um livro chamado "Sustainable Energy - Without the Hot Air" que vale a pena ser lido. Escrito por um professor de física da Universidade de Cambridge, o livro analisa a independência energética de um ponto de vista original: os limites físicos e técnicos das tecnologias existentes.


 


Partindo do simples pressuposto de que, para um país se tornar independente em termos de energia o seu consumo tem de ser igual à sua produção, o autor analisa a viabilidade física (sem considerar custos) desse propósito. A conclusão a que chega, no caso Europeu, é esta: "Let’s be realistic. Just like Britain, Europe can’t live on its own renewables. So if the aim is to get off fossil fuels, Europe needs nuclear power, or solar power in other people’s deserts, or both."


 


Ou seja, com a tecnologia actual, a independência energética é impossível. Isto significa que , também neste campo, o esforço devia ser dirigido para a inovação, uma área em que os governos manifestamente não têm qualificações para actuar.


 


Publicado em 13/8/09 às 12:30
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Tomás Belchior

Se a ideia de independência energética fizesse sentido, levar-nos-ia bem mais longe do que as energias renováveis. Com base na mesma argumentação, teríamos de lutar pela independência alimentar, pela independência têxtil ou até pela independência automóvel porque, como a história nos ensinou, os alemães e os japoneses não são de fiar.


 


Publicado em 13/8/09 às 11:37
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Tomás Belchior

Entre os múltiplos chavões que justificam a unanimidade à volta do papel do governo nas energias renováveis é a ideia de que é importante sermos independentes em termos de energia. Subjacente a este argumento estão duas linhas de pensamento: uma corrente nacionalista e uma certa ideia antiglobalização disfarçada de preocupação com a segurança nacional.



A corrente nacionalista baseia-se no reanimar da ideia de autarcia, essa sim "herdeira de uma certo espírito do salazarismo". É um conceito que fez furor em múltiplos regimes fascistas e autocráticos, que por cá ficou gravada para a posteridade na tirada  do "orgulhosamente sós". Lutar para ter um país auto-suficiente até pode parecer um objectivo louvável só que tem o pequeno problema de nos condenar à miséria.



A preocupação com a segurança nacional advém do facto de supostamente não se poder confiar nos regimes que neste momento nos fornecem energia. Basta olhar para o cenário no Médio-Oriente ou para a Rússia para arrumar a discussão. No entanto, esta argumentação parece ignorar o facto do comércio internacional ser uma relação de soma positiva. Por incrível que pareça, ambas as partes, compradores e vendedores de energia, ganham com a transacção. Deixar de fornecer gás natural seria tão mau para a Europa como para a Rússia e é precisamente por essa razão que esse dia nunca chegará.


Publicado em 13/8/09 às 11:28
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