Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
Tomás Belchior

Qualquer governo verdadeiramente interessado em fazer o país crescer devia fazer uma coisa muito simples: sair da frente. Criar condições para a inovação significa tomar medidas a montante desta, não a jusante. Significa garantir direitos de propriedade e o primado da lei, significa implementar políticas macroeconómicas que visem a estabilidade, significa assegurar mercados concorrenciais, significa abrir o país ao comércio e ao investimento externo, significa desenvolver uma cultura de empreendedorismo. Em qualquer um destes domínios há muito por fazer em Portugal.  O resto, como diz o Adolfo, é apenas estatismo. A inovação, quando e se acontecer, não aterrará de avião em Alcochete, nem chegará pela rede europeia de alta velocidade. Nas palavras imortais do Gill Scott-Heron, the revolution will not be televised.


 


Relacionado: Criar Condições para o Crescimento


Publicado em 30/7/09 às 01:15
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7 Comentários:
De pirata a 30 de Julho de 2009 às 11:04
Tendo em conta a recente crise financeira, e a económica que se lhe seguiu, é realmente extraordinário que se considere neste momento que o governo tem que "sair da frente". Uma completa ausência do sentido de oportunidade, salvo o devido respeito.


De Tomás Belchior a 30 de Julho de 2009 às 11:24
Caro Pirata, posso perguntar-lhe porque razão acha que não é oportuna esta ideia?


De Anónimo a 30 de Julho de 2009 às 16:41
Caro Tomás Belchior,
Fui lacónico, mas explico-me.
Os aspectos que refere no seu texto são, certamente importantes, mas não chegam, isto é, não basta ao governo (o deste país ou de outro qualquer) criar condições para o empreendedorismo e deixar a mão invisível fazer o resto. Não faço interpretações dramáticas da crise financeira, que tenha ditado o fim do capitalismo, que exija mudanças de paradigma, etc., mas parece-me que os eventos do último ano nos obrigam a aceitar que o papel regulador do Estado é fundamental, e que uma das causas que concorreu para a crise foi justamente a falência do exercício desse papel (veja-se as propostas agora, e tardiamente, apresentadas pela Comissão Europeia nesta matéria). Por isso acho a sua ideia inoportuna, e, de resto, não é acompanhada pelos governos europeus (nem sequer, neste momento, pelo americano, mas admito que do outro lado do Atlântico a bitola seja muito diferente).

Por outro lado, e no contexto de uma crise económica, aceito com mais facilidade a argumentação dos economistas que defendem que o Estado pode e deve ter um papel importante na recuperação da economia, repondo a confiança, criando condições de investimento (público e privado), travando uma subida descontrolada do desemprego, etc.
Em suma: acredito que o Estado pode e deve ter um papel importante na criação de um ambiente económico estável, agindo na qualidade de regulador e de agente económico (a extensão da actuação é, com certeza, discutível, e deve ser variável consoante o ciclo ou contra-ciclo que se atravesse). Discordo por isso de uma postura ultraliberal (para não lhe chamar "neo", que começa a deixar de estar na moda) de "hands off", ou "sair da frente", postura essa que, acredito, foi em boa parte responsável pela crise que agora atravessamos. Até hoje ainda ninguém me acusou de estatismo, mas para tudo há uma primeira vez...
abraço


De AntónioCostaAmaral (AA) a 30 de Julho de 2009 às 20:47
Caro Anónimo,
O seu pensamento parte do princípio que o Estado sabe distribuir recursos pela Economia, no presente momento e intertemporalmente, o que é um absurdo.
Percebo a atração pela ideia, mas quer dizer, estamos a falar dos mesmos políticos e burocratas que não controlam o OE, que conseguem apresentar um exemplo de uma empresa pública bem gerida, cujos serviços são um insulto vivo aos cidadãos.
Esta gente é patentamente incompetente para governar ou dar jeitos à Economia, ou regulá-la, ou sequer analisá-la. Mas mesmo assim assume-se que por estarem supostamente a agir sobre variáveis macroeconómicas (que têm efeitos mágicos), sabem o que fazem.
Nos EUA o Estado não só não fazia ideia que vinha aí uma bolha, como a empolou por via legislativa, como agora está a conferir mais poderes à instituição que a criou - o Fed. As soluções poderão prevenir outra bolha igual de aparecer, mas têm o mesmo efeito terapêutico de uma sangria à século XVI.
E por cá insiste-se em agir sobre os sintomas de uma economia pouco competitiva (impedindo empresas de fecharem, criando empregos que não subsistirão se a ajuda do Estado cessar, etc), não compreendendo que o mercado está a corrigir erros passados.
E é este Estado que terá a responsabilidade de fazer que as coisas sejam mais suaves...


De pirata a 30 de Julho de 2009 às 23:58
Caro AA ,
Peço desculpa: por aselhice não assinei o comentário anterior, e saiu anónimo, em vez de assinado...
Não se trata apenas de distribuir ou redistribuir recursos, estou de facto convencido que o Estado deve levar a cabo uma tarefa reguladora muito séria, e que deve, nesse sentido interferir, ou intervir.  É essa a minha grande discordância relativamente ao post. Quando afirma que estes políticos e burocratas são incompetentes para regular e supervisionar, de certo modo estará a concordar comigo que é necessário fazê-lo, e eu até posso concordar consigo que as instituições falharam neste domínio.
Prefiro reagir à crise actual reforçando as políticas sociais, o apoio aos desempregados, à formação profissional, ao crédito hipotecário, etc., dando às famílias algum espaço para respirar durante o pior embate da crise e portanto amortecendo os respectivos efeitos (sim, com dinheiro dos contribuintes), do que assistir passivamente às empresas a fechar, permitindo uma saudável selecção natural dos agentes económicos mas aceitando impávido o aumento da pobreza com tudo o que isso implica. Aqui teremos que discordar.
Quanto à gestão de empresas públicas, julgo que a discussão terá que ficar para outra ocasião, mas deixo-lhe duas ideias: a primeira, é que rejeito o pressuposto liminar de que o Estado é mau gestor (às vezes será); e a a segunda, é que, às vezes é melhor ser o Estado a gerir mal do que passar determinadas empresas ou equipamentos para o sector privado. E para terminar a provocação, vou invocar um exemplo que suspeito poder atrair acusações de blasfémia: a grande M. Thatcher.


De AntónioCostaAmaral (AA) a 1 de Agosto de 2009 às 09:37
Olá pirata,
Com desculpas porque não há tempo para responder como é devido:
1.- por dizer que políticos e burocratas não sabem supervisionar ou regular, não quer dizer que concorde (nem concorde) que seja necessário supervisionar ou regular. Da mesma maneira que digo que são incompetentes para gerir a Economia à soviética, preencha-se o resto. A economia regula-se a si própria. Agora, se não se orienta para os fins dos engenheiros sociais, isso é problema deles, não da Economia (o que chamam "falhas de mercado")
2.- ponto feito, concordo que ter 'safety nets' em contrapartida de uma atitude 'hands-off' é melhor do que um welfare state instalado e intervencionismo como modo de vida;
3.- sinceramente não vejo como a invocação de Thatcher é auto-evidente no contexto da discussão. Mas como não tenho argumentos para rebater, e opiniões cada um tem a sua, espero que possamos continuar a trocar comentários :)
Abraço
 


De DDC a 30 de Julho de 2009 às 11:08
Concordo em absoluto.


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