Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Carlos Martins

Real politics, agora.


 


Por fim Portugal chega a uma disposição parlamentar diversificada, numa altura de maturidade democrática. Sintomático do modo diferente de pensar a sociedade dos eleitores, mas também da diversidade de propostas programáticas.


 


Não há como esconder, a agenda do CDS é a mais pragmática, incisiva e concreta. E o Povo disse que essas ideias deveriam ser olhadas de forma irremediável. 


 


Ao PS resta negociar. Negociar com o tempo, se quiser cair e arriscar maioria absoluta. Negociar com Cavaco para aproveitar a sua fragilidade. Negociar com a Esquerda e hipotecar o futuro do País, contrariando a vontade de 10,5% dos eleitores que quiseram colocar o CDS como terceira força do Parlamento, e portanto, como elemento decisivo na tomada de decisões. 


 


O PS pode ainda negociar com o CDS. O caderno de encargos do CDS é claro e sendo também útil e bem estruturado, não me parece impossível alcançar um acordo com os Socialistas para dotar o Governo de alguma estabilidade. Acordo, não coligação, que fique claro. 


 


Qualquer negociação com os socialistas tem de partir de uma base do principio que há demasiadas políticas incompatíveis com o programa do CDS. Demasiadas diferenças. Mas o Povo quer que o PS tenha em atenção as propostas do CDS. E assim será. Pontualmente e sem nunca trair aqueles que convictamente votaram no CDS contra as políticas de José Socrates.


Publicado em 28/9/09 às 12:59
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3 Comentários:
De Viseu Esquerda a 28 de Setembro de 2009 às 14:15
Dados Nacionais:
1- O Partido mais votado é paradoxalmente o maior derrotado. Menos votos, menos deputados, menos distritos ganhos.
2- A Esquerda Parlamentar obteve cerca de 3 milhões e 71 mil votos contra os 2 milhões e 240 mil votos da direita.
3- Toda a oposição cresce com destaque para o BE que duplica o número de deputados e para o CDS que cresce de 12 para 21 mandatos. Os 6 deputados ganhos pelo PSD não escondem o fracasso do maior partido da oposição que deixou o flanco aberto a Paulo Portas e que não capitalizou o desgaste do absolutismo Socrático.
4- Teremos na Assembleia da República uma aritmética única: Maiorias de 2 partidos só com a direita num hemiciclo maioritariamente de esquerda (veremos agora na política do pisca-pisca para onde fará olhinhos o PS).
5- Bloco de Esquerda, passados 10 anos da fundação, torna-se um partido nacional ao eleger deputados também em Faro, Santarém, Leiria, Coimbra, Aveiro e Braga. CDS obtém melhor resultado dos últimos 25 anos e estreia a eleição de deputados em alguns distritos, com especial destaque para a Madeira.
6- PCTP-MRPP conseguiu mais de 50.000 votos e terá direito a subvenção estatal. Já as expectativas do MEP saíram goradas não ultrapassando o partido os 25.000 votos.


De Viseu Esquerda a 28 de Setembro de 2009 às 14:22
Especulações:
 1- Uma certeza: Vamos ter uma legislatura bem mais interessante!
 2- A aprovação de qualquer diploma exigirá:
 * ou um voto favorável do CDS ou PSD
 * ou um voto favorável do PCP ou do BE desde que um deles se abstenha pelo menos ( veremos quem quererá votar contra ao lado da direita!)
 * ou a abstenção do PSD
 3- A diferença no número de deputados não traduz as diferenças em número de votos: os mais 45.000 votos que o CDS obteve face ao Bloco garantem mais 5 deputados a Paulo Portas enquanto que os mais de 110.000 votos que distanciam o BE do PCP se reflectem em apenas mais 1 deputado para Louçã! Ainda querem que a matemática faça escola neste país…
 4- Os tiros no pé do PSD e a óbvia incapacidade de Manuela Ferreira Leite para captar o eleitorado descontente a que se juntou uma das maiores campanhas de manipulação dos media em relação a um pequeno partido (BE)e a inteligência e capacidade mediática de Paulo Portas que alicerçou toda a sua campanha no medo (dos criminosos, dos imigrantes, das nacionalizações…) deram ao CDS uma recuperação histórica que lhes valeu 10,5% dos votos.
 5- O Bloco, apesar do excelente resultado, ficou com uma pedra no sapato ao deixar ver o CDS segurar o 3º lugar. Motivos: Má gestão de expectativas; ataque de todas as forças políticas ao BE que criou um sentimento de perigosidade numa votação expressiva; campanha de demonização do BE pelo filtro sujo dos media resultou numa quebra da dinâmica na última semana:
 * a escolha dos analistas que comentaram os debates de Louçã foi premeditada: por ex., com Ferreira Leite a Sic Notícias encomendou 4 pessoas da direita que obviamente deram a vitória a MFL, não pela prestação mas pelo conteúdo programático! num debate em que ela concordou já nem sei quantas vezes com Louçã!
 * os ataques que roçaram o insulto por parte do director do Sol e que revelaram um óbvio ódio visceral ao BE
 * A campanha do Expresso. Numa semana com o caso da compra de votos no PSD, das guerras com Espanha por causa do TGV, e com o escândalo do caso das escutas (notícia oferecida ao Expresso em primeira mão mas que este recusou publicar indo depois parar ao DN – jornal oficial do PS) a rebentarem, o Expresso de uma semana noticiosa faz manchete com uma falsa capa sobre os PPR e a contradição do BE que nunca o foi, enfim, e lança depois na edição on line várias notícias manipuladoras e que serão um case-study como a de que as nacionalizações do BE custariam 51 mil milhões de euros (englobando aqui até o banco BIG imagine-se!) ou a distorção completa da análise comparativa que levou a que noticiassem que o BE gastou mais 300.000€ do que o orçamentado quando na verdade foram menos 200.000€! E estes disparates foram aqueles que eu apanhei porque decerto haverão bastantes mais.
 * As sucessivas manchetes que no mesmo dia diziam haver um acordo secreto entre BE e PS quando o BE repetir vezes sem conta que tal nunca iria acontecer. As manipulações do PS sem contraditório que chegaram ao ridículo quando o líder da JS viu no programa eleitoral do BE um regresso à tropa obrigatória quando o bloco quer é acabar com o exército nos moldes em que está.
 * Enquanto se esmiuçou o programa do Bloco até à vírgula, o CDS foi deixado à solta e Paulo Portas nunca foi questinado o porquê do facto de quando ele ter sido membro do governo a situação da PSP ser rigorosamente igual, as taxas de criminalidade também, o RSI apresentar fraudes e ser pago em dinheiro e não em espécimes como propõe, enviar frotas de guerra contra o barco da IVG e deixar a costa açoreana livre para os mercenários estrangeiros das pescas, nem das fotocópias, nem dos sobreiros, nem dos candidatos do CDS que por aí andavam a roubar palha e a inflacionar as estatísticas do crime.
 * Sócrates e Paulo Portas não foram levados ao colo, foram levados num ANDOR!
 * A primeira vítima desta campanha foi o JORNALISMO que se travestiu de independente mas nunca conseguiu esconder as agendas ocultas que por ali pululam.
 


De Viseu Esquerda a 28 de Setembro de 2009 às 14:22

6- Cavaco Silva comprometeu a campanha falando do que não devia (visita do papa) e calando-se perante uma história digna do 007 e que ainda está muito mal contada e não é sequer digna de uma democracia, correndo o risco de se escutar em 2010 um Alegre, Alegre, que oportunisticamente deu a mão a Sócrates em fim de campanha (valeu de pouco)<br />&nbsp;7- Durará a legislatura 4 anos? alguém terá a coragem suicida de lançar ou apoiar uma moção de censura? quem deixará o Orçamento de Estado passar? Estas e outras questões marcarão certamente o calvário de Sócrates.<br />&nbsp;8- Sócrates é um homem de muitas máscaras, mas terá ele no baú uma máscara que sirva para engolir estes resultados depois de 4 anos e meio de absolutismo e personificação do rei sol?


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