
Ao longo das últimas semanas por esta Rua passou quem quis. Em comum, como dissemos logo no primeiro dia, tínhamos a convicção e a vontade de que o CDS devia ter um bom resultado eleitoral. Conseguimo-lo e isso deixa-nos satisfeitos. Mas se o resultado tivesse sido outro não teríamos menos orgulho na Rua que construímos.
Como prometemos também no primeiro dia, por aqui passou gente vinda de lugares distintos, gente que nunca se tinha cruzado, gente que só cá veio uma vez, gente para quem a política é apenas um momento, gente que vive a política com imensa intensidade. Mas o mais importante é que se cruzaram opiniões diferentes, propostas diversas, ideias nem sempre coincidentes, mas todas com um sinal comum: os valores da liberdade e da responsabilidade, uma ideia de Estado e uma noção de País.
Foram esses valores, essa ideia e essa noção que preferimos discutir aqui, passando ao largo dos casos e das pequenas polémicas que marcaram a campanha. Soubemos sempre, desde o início, que o nosso caminho era outro. Eventualmente perdemos audiências. Mas, ainda assim, uma média de 1315 visitas por dia ultrapassou em muito as nossas expectativas.
Os partidos não devem ser espaços monolíticos onde só cabe uma ideia, nem lugar nenhum onde cabe tudo. Nós, que não somos a voz do CDS, somos o CDS dos eleitores (dos que têm e vêm à net, mas não só). Os eleitores que aqui passaram não são apenas o futuro do CDS. Eles são o presente do CDS e foi por eles e com eles que se testemunhou o crescimento eleitoral do CDS. De resto, esta Rua mostrou como o CDS é muito mais do que aquilo que muitas vezes o fazem parecer. Coisa que os leitores da Rua perceberam e os eleitores também.
Obrigado por terem feito este caminho connosco. E obrigado ao CDS por ter merecido este esforço e este resultado. Ao longo destas semanas fizemos a nossa parte, com convicção. É tempo de fechar esta Rua.
Chegámos ao fim e no fim chegámos onde queríamos. Agora, cada um seguirá o seu caminho, com o mesmo espírito, e pelas ruas onde andarmos seremos os mais exigentes de todos para com o CDS. Como sempre.
Os autores do Rua Direita
Amanhã teremos tempo para posts e agradecimentos e despedidas. Por agora, vamos comemorar. Continuaremos a melhor oposição ao socialismo dentro de momentos.

Ao longo das últimas semanas passaram por esta rua os melhores argumentos para votar CDS nestas eleições.
Apresentaram-se ideias, falou-se de propostas, defendeu-se aquilo em que acreditamos, sabendo que acreditamos em coisas suficientemente diferentes para sermos muitos, e suficientemente idênticas para estarmos de acordo no mais importante: prioridade à iniciativa privada, preferência pela liberdade, políticas de família, preocupação com a segurança, exigência para com o Estado, uma ideia de responsabilidade, a recusa do Bloco Central e a resposta ao Bloco de Esquerda, a ideia do Estado com pessoa de bem, a autoridade dos professores, a importância dada à agricultura e ao mar, uma política fiscal favorável às famílias e às empresas. Cada um de nós que por aqui passou declarou as suas razões.
Ao contrário do que alguns gostam de dizer, em tom de desculpa para preferir outras paragens, passou por esta rua aquilo que o CDS de facto é. Pode haver quem se supreenda com a pluralidade de ideias e com a importância do consenso aqui gerado, mas é precisamente disto que é feito o CDS. E é com pessoas como as que (e com as que) deram a cara nesta rua que se faz o futuro do CDS.
Mas haverá tempo de despedidas e para apelos a que siga um percurso connosco. Agora é tempo de reflexão. Cada um sabe de si e dos seus argumentos. Amanhã é dia de usar os seus. Há cada vez mais gente como nós. E se desta vez votasse como lhe apetece?
Os autores desta Rua
O Pedro Mexia dispensa apresentações. E deixou o seu sentido de voto CDS no seu novo blogue, Lei Seca. Nestes termos:
Curioso Número
Podia glosar José Mário Branco e dizer que voto à esquerda moderada nas sindicais, voto no centro moderado nas deputais e voto na direita moderada nas presidenciais. Não bate totalmente certo, mas ficam com uma ideia, e além disso soa bem.
Domingo temos eleições. Segundo a Bússola Eleitoral, há 75,9 % de possibilidades de eu votar no MPT, 75% de votar PDA (que nem concorre), 73,1% MMS e 71,4 % no PND e no MEP. Parece que sou um gajo dos pequenos. Grande novidade.
Já votei MPT, mas não me estou a ver a deitar em nenhum dos outros (o MMS nem sei bem o que é, excepto que têm problemas com a ortografia). A seguir vêm o CDS e o PSD, ambos com 69,6%, curioso número como dizia o outro. Daí para baixo seguem-se partidos com os quais não tenho afinidades: PNR, PS, MRPP, BE e CDU.
Como me apetece estar «representado» no parlamento, escolho entre os 69. E de entre esses dois escolho o partido que usa de clareza ideológica em vez de ambiguidade pragmática, que fez um bom trabalho parlamentar, que prefere a regulação à estatização, que defende as empresas e a criação de riqueza, que reforça a segurança dos cidadãos, que zela pela decência fiscal, que não hesita nas nossas alianças, que conduziu uma campanha sem disparates nem casos, que é chefiado um político inteligente e articulado. Se se calassem com a demagogia da «preguiça» eu agradecia, mas, tudo somado, vou pôr a cruz sem esforço.
Pedro Mexia
Manuela Ferreira Leite diz que votar CDS é indiferente. Ficámos portanto a saber que, para Manuela Ferreira Leite, é indiferente que, pelo menos, o PS ganhe um deputado ao CDS em Aveiro, Braga, Porto, Santarém e Setúbal (círculos em que o último deputado a eleger está a ser disputado unicamente pelo PS ou o CDS). Ou seja, para Manuela Ferreira Leite, é indiferente que seja o PS ou o CDS a ganhar estes 5 deputados.
E recordo que nos círculos de Leiria, Lisboa, Viseu e Viana, a eleição do último deputado pelo PSD se faz à custa da não eleição de um deputado pelo CDS, pelo que o PS em nada sai penalizado pela transferência de votos do eleitores que preferem o CDS para o PSD.
De notar que esta contabilidade tem em conta os eleitores que estão indecisos entre um e outro partido, salvaguardando por isso os resultados habitualmente conseguidos pelo PSD graças ao seu eleitorado seguro.
Com base nas recentes sondagens, pedem-nos que votemos PSD. Mas para que os votos do CDS pudessem garantir a vitória isolada do PSD seria necessário, com base nessas sondagens, que o CDS tivesse 0%. Não estarão a pedir demais? Não costumavam ser mais discretos, estilo sugerir a mudança do sistema eleitoral e coisas assim?
(para ver como uma boa votação do CDS pode ser mais útil do que transferir, sem mais, os votos CDS para o PSD, ver este meu post)
Existe muitas vezes a tentação simplista de achar que um voto no CDS é um voto retirado ao PSD. Isso será assim nos distritos em que o CDS não tem qualquer tipo de hipótese, sequer remota, de eleger um ou mais deputados.
Mas assim já não será se, pelo contrário, o CDS estiver em condições (ou estiver em condições muito próximas) de eleger deputados. E tal deve-se ao facto de, em vários círculos eleitorais, a transferência de votos do CDS para o PSD não ser suficiente para este partido eleger mais um deputado mas ser suficiente para que o CDS o faça, roubando-o às forças de esquerda. Coisas do nosso sistema eleitoral.
Como diz o Luís Casalta nos comentários ali em baixo, e utilizando a recente sondagem Eurosondagem para o distrito de Braga, a distribuição de deputados será: PSD 8 deputados, PS 7 ou 8 deputados, CDS 1 ou 2 deputados, BE 1 deputado e CDU 1 deputado. Neste caso, o que está em causa é a eleição do 19.º deputado, que será, de acordo com os resultados da sondagem, do CDS ou do PS. Ou seja, nos termos desta sondagem, em Braga, votar CDS dará ao PSD+CDS 10 deputados, ao passo que ao votar PSD apenas serão eleitos 9 deputados. Em Santarém, outro exemplo, o deputado em causa que todas as sondagens hesitam em atribuir está a ser disputado entre PS e CDS. Nesse caso, mais uma vez, um voto no CDS significa derrotar o PS.
Seria preciso correr sondagem a sondagem para saber ao certo e com rigor em que casos é que os votos dos eleitores indecisos no CDS permitem aumentar o número de deputados eleitos pelos partidos à direita do PS. Ou seja, para saber em que círculos é que um forte voto CDS rouba deputados ao PS ou CDU ou BE. Mas olhando para a média das sondagens, é possível dizer que Aveiro, Braga, Coimbra, Faro, Santarém, Viana do Castelo e Viseu são distritos em que isso pode acontecer.
Seja como for, é importante que se perceba, quando aqui se vem afirmando que um voto CDS não significa um voto a favor de Sócrates, que tal está apoiado na realidade do nosso sistema eleitoral. Daí que a utilidade do voto não pode ser verificada na simplista forma de pedir aos eleitores indecisos para votar no partido do lado para derrotar o PS. Em vários casos, isso pode mesmo ser o primeiro passo para a vitória socialista.
O sentido de estado e o institucionalismo na política não podem ficar-se pelas palavras. Não fazem aliás qualquer sentido sem a sua concretização na acção política.
E basta ver a forma como os diversos partidos têm reagido ao caso das escutas para se perceber onde moram o sentido de estado e o institucionalismo: o PS envolve o PSD, o PSD pede ao Presidente que abra a boca, o Bloco diz que está a adorar a campanha e que o PR não está à altura do cargo se não desbobinar e o PCP diz que o PR é contraditório e intereferiu na campanha.
O Bruno Gonçalves (conhecido de muitos por ter colaborado com a Revista Atlântico e com o blogue do mesmo nome) vai votar pela primeira vez no CDS . Aqui fica a sua declaração de voto, com evidente autorização do próprio para o efeito.
Prioridades
Passados 4 anos e meio de governação socialista, é deveras impressionante a forma como José Sócrates conseguiu cultivar no país uma bipolarização em relação à sua pessoa. O país divide-se, em primeiro lugar, nos que defendem o Primeiro-Ministro e naqueles que o querem derrubar a qualquer custo. Apenas em segundo lugar, para estes últimos, se discutem as alternativas políticas a José Sócrates.
Foi apenas há 4 anos que o PS fez história com a sua primeira maioria absoluta. Vaticinava-se então uma travessia no deserto para o PSD, que com o passar dos meses apenas parecia ficar mais negra, dados os sucessivos congressos e as intermináveis disputas internas. Até há cerca de um ano, falar num cenário que envolvesse a vitória do PSD nas legislativas era no mínimo impensável. A questão era sobretudo se José Sócrates renovava ou não a maioria absoluta e quem seria o líder que reconstruiria o PSD após as eleições. Tudo mudou.
Hoje é evidente na sociedade que é vital para o país derrubar este governo e com ele, José Sócrates. Nunca na nossa história democrática tivemos um executivo que lidou tão mal com o conceito de liberdade. A censura socialista no caso TVI, condenada de forma unânime por todos os partidos da oposição, foi apenas o culminar de uma evolução da máquina socialista. O padrão construiu-se ao longo de 4 anos. As pressões a jornalistas e os sucessivos ataques do PM à comunicação social, que mais não fez que o seu serviço no caso Independente e Freeport, mostram um PM incomodado e que convive mal com opiniões que não as suas.
Os fracassos e os erros abrangeram várias áreas da governação, com particular destaque na educação. Foi este o governo que declarou uma guerra aberta aos professores, que promoveu o facilitismo nos exames de modo a colher estatísticas mais favoráveis, foi este o governo que deu cobertura a personagens como Margarida Moreira e os seus tiques autoritários e que sem ter realizado uma única reforma de fundo no sector da educação, se vangloria de um alegado choque tecnológico na educação através da boa publicidade do computador Magalhães.
Este é um PM que fala em ter colocado as contas públicas em ordem com um défice de 7% e uma dívida pública de 80%. Que aumentou a já pesada carga fiscal dos portugueses e que ainda nos fala em investir milhões e milhões em grandes obras públicas sob pena de não sermos “modernos”. É preciso dizer basta. Enough is enough.
Face às desastrosas políticas socialistas, a alternativa seria obviamente um PSD forte, ambicioso, agregador e com um programa reformista. Embora tenha simpatia por Manuela Ferreira Leite e tenha o programa do PSD em boa consideração (embora muito longe de perfeito), como eleitor em Lisboa não posso de alguma forma votar naquela lista de deputados. Embora não tenha grande simpatia pelo CDS, admito que é a única alternativa com sentido para mim. Desta forma, para além de votar num partido que tem defendido boas ideias para certas áreas prioritárias, como a segurança e a educação, sempre fico de consciência tranquila que não vou contribuir para que o meu partido, o PSD, ceda às pressões para constituir um governo de bloco central, ajudando a perpetuar este executivo e as políticas nocivas que prometeram derrubar. Porque acima de tudo importa relembrar que a prioridade dia 27 é derrubar José Sócrates.
Bruno Gonçalves
É evidente, para qualquer pessoa que não tenha como objectivo imolar José Sócrates, que o caso das suspeitas de Belém não acabou ontem com o afastamento de Fernando Lima, como se todo este caso não durasse há mais de um ano. Só no fim poderemos tirar conclusões acertadas sobre o que aconteceu ou o que moveu os protagonistas deste episódio. Em qualquer um dos casos, o Estado Português sai muito desrespeitado. Não é coisa para festejar.
No mesmo programa da RTP, Marcelo Rebelo de Sousa jurou que o PSD precisava dos votos do CDS para ganhar as eleições. Mas se isto fosse verdade, o PSD não teria ganho as eleições em 2002, já que actualmente as sondagens apontam para cerca de 7% de votantes no CDS, e 8% foi a votação que o partido teve em 2002.
O que Marcelo Rebelo de Sousa procura são os votos que permitam esconder a incapacidade de o PSD ir roubar votos ao PS e ao centrão, onde sempre se ganharam e perderam as eleições em Portugal. E quer fazê-lo às custas do partido que mais e melhor fez oposição durante os quatro anos e meio em que o PSD demonstrou o notável sentido de responsabilidade de andar a brincar aos líderes.
Se o PSD quer ganhar as eleições, deve esmerar-se pelos votos do centro, que precisam de ser convencidos da mudança. Os votos à direita, convencidos que já estão de que Sócrates tem de sair, estão bem onde estão.
Ontem à noite na RTP, na sua mista versão de comentador apoiante do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, esquecendo a sua versão Professor de Direito, mentiu aos portugueses assegurando que a Constituição manda que o Presidente da República convide o presidente do partido mais votado para ser Primeiro-Ministro.
É mentira, claro que é. Manda a CRP que o Presidente da República nomeie o Primeiro-Ministro, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República, e tendo em conta os resultados eleitorais. Se os resultados eleitorais determinarem uma vitória socialista embora com maioria PSD/CDS, nada imepdirá o Presidente da República de ler nos resultados eleitorais uma incapacidade socialista de gerar uma maioria.
Continuando com a tentativa de Pacheco Pereira convencer as pessoas que é o CDS e não o PSD o aliado natural do PS, importa agora -- porque é de factos que a vida é feita e não de suposições -- dar uma vista de olhos às alegadas cumplicidades parlamentares de CDS e PSD com o PS e o Governo nos últimos quatro anos e meio.
Onde está a cumplicidade parlamentar do CDS com o PS quando comparada com a cumplicidade do PSD?
VOTAÇÕES NOS PJL DO PS
FAVOR |
CONTRA |
ABSTENÇÃO |
|||
CDS |
PSD |
CDS |
PSD |
CDS |
PSD |
48 |
57 |
16 |
12 |
11 |
6 |
VOTAÇÕES NOS PJR DO PS
FAVOR |
CONTRA |
ABSTENÇÃO |
|||
CDS |
PSD |
CDS |
PSD |
CDS |
PSD |
17 |
19 |
5 |
4 |
8 |
7 |
FAVOR |
CONTRA |
ABSTENÇÃO |
|||
CDS |
PSD |
CDS |
PSD |
CDS |
PSD |
111 |
141 |
65 |
60 |
77 |
52 |
É impressão minha ou o centrão anda a brincar aos índios e cowboys?
O Público pergunta hoje, aos vários partidos, quais consideram serem as condições mínimas para ponderar uma baixa de impostos?
E à direita do PS as respostas são esclarecedoras. Ou melhor, uma das respostas é esclarecedora porque explica e se compromete, a do CDS, e outra é esclarecedora porque foge a dar uma resposta. Vejamos, com sublinhados meus:
CDS:
O CDS propõe um novo contrato fiscal que se destina a minorar as origens da falta de competitividade da economia nacional, da dificuldade na captação de capitais estrangeiros e da falta de confiança nas instituições e no funcionamento da administração tributária e assenta num sério compromisso de redução continuada da pressão fiscal sobre as famílias e as empresas, cujas medidas iniciais permitam, no imediato, devolver poder de compra às primeiras e liquidez às segundas. Propomos por isso i) uma reforma do IRS com a redução dos escalões de tributação a um máximo de quatro ii) uma gradual diminuição da taxa efectiva que incide sobre as classes médias iii) um aumento do rendimento disponível das famílias e a mobilidade social iv) uma simplificação da multiplicidade incoerente de excepções, excepções às excepções, deduções e abatimentos v) introdução no IRS do desconto fiscal por filho (quociente familiar). Será faseado, tendo como objectivo atingir um quociente de 0,5 no final da legislatura.
PSD: No programa do PSD é assumido um compromisso com os portugueses: não será feito qualquer aumento de impostos. O Governo socialista aumentou todos os impostos, agravando drasticamente o peso do Estado na economia. Assim, as condições mínimas para reduzir os impostos passam pelo combate aos grandes desperdícios nas despesas do Estado e pela suspensão de obras públicas que não sejam prioritárias. Tal como o PSD defende, é necessário um novo modelo económico para o país assente nas exportações e no investimento e onde o principal papel do Estado está na criação de condições ao bom desempenho das PME. É nestas que está a criação de emprego e é também nas PME que está uma das principais fontes de receita fiscal do Estado. O sucesso destas políticas levará à redução da despesa do Estado e a um maior crescimento económico. Com menos despesa pública e menos desemprego é possível descer os impostos sem pôr em causa o financiamento dos apoios sociais.
Uma campanha eleitoral que vive, desde há dias, em torno de algo que a esmagadora maioria dos portugueses não vai usar e sobre a qual não tem qualquer interesse em opinar é algo que não pode deixar de nos espantar.
Para apelar ao voto útil e para acusar o CDS de amiguismo com o PS, Pacheco Pereira tem de fingir que não conhece os quatro anos e meio de oposição do PSD, sobretudo quando comparados com os quatro anos e meio de oposição do CDS.
Só fingindo não conhecer o que foram estes anos pode tentar esconder o braço dado do PSD ao PS no Tratado Europeu, no Pacto da Justiça, nas leis penais e da imigração ou na tentativa de revisão da lei autárquica. E só fingindo não conhecer pode esconder as pretensões conjuntas dos dois partidos de alteração do sistema eleitoral para um sistema que, ora bem, procura bipolarizar o parlamento.
Só fingindo não conhecer o que foram estes anos pode tentar esconder que enquanto o PSD se entretinha nas questões internas e vivia para elas, o CDS, também ele envolvido em questões internas note-se, liderava a oposição à direita. Basta comparar a produção parlamentar dos 11 deputados do CDS com os 75 do PSD.
Neste caso, ao contrário do que diz Pacheco Pereira, é o PSD que quer ficar com o proveito da oposição feita pelo CDS.
Com vontade mais ou menos declarada de apelar ao voto útil, e fingindo que não vê nem lê os jornais onde os seus companheiros de partido se deliciam com a possibilidade de voltar ao Governo em Bloco Central, Pacheco Pereira vê no episódio do queijo limiano uma qualquer espécie de tendência coligacionista do CDS com o PS.
Pacheco Pereira não refere, claro, que Daniel Campelo viabilizou dois Orçamentos de Estado em rota de colisão com o CDS e que, por isso mesmo, deixou o grupo parlamentar do CDS passando a ser deputado independente.
Pacheco Pereira não refere, claro, que o PSD viabilizou vários dos Orçamentos de Estado de António Guterres.
E Pacheco Pereira não refere, claro, que também os deputados do PSD da Madeira e dos Açores, contra a orientação do PSD, viabilizaram um Orçamento de Guterres. Mas parece que, ao contrário do que sucedeu no CDS, os deputados transfugas continuaram animadamente no grupo parlamentar do PSD.
Acho que, quanto a entendimentos orçamentais, estamos conversados.
Podemos ler, na página 44 do Programa do PS, que este se propõe reduzir os prazos de reembolso do IVA. É interessante mas supreendente.
O CDS sempre denunciou o absurdo do atraso do reembolso do IVA, lembrando que o Estado não pode apenas ser eficaz quando penhora. Em consequência, apresentou iniciativas legislativas para reduzir os prazos de devolução do IVA pago pelas empresas, de forma a permitir maior liquidez e desafogo da tesouraria das empresas.
O PS sempre se recusou a apoiar estas iniciativas, pelo menos até às vésperas de eleições. Percebe-se porquê: quer agora apresentar esta medida como sua.
Imaginar o Bloco de Esquerda no Governo é algo tão tenebroso que quase sempre nos dispensamos de medir as consequências da coisa. Mas o Diogo Belford Henriques foi pegar no Programa do Bloco de Esquerda e começou a imaginar. A coisa é verdadeiramente assustadora, como o demonstram estes dois exemplos:
Segunda-feira "Avançar com um plano de nacionalização do sector energético - Galp e EDP . A energia, a água, as vias de comunicação, ostransportes públicos, entre outros serviços públicos, têm de ser controladas por todos." (pág. 14).
Sexta-feira "Legalização da morte assistida" (pag. 23)" “fim da OMC, do FMI e do Banco Mundial” (pag. 108) “Portugal deve sair da NATO e pugnar pela extinção deste e de todos os blocos militares. Portugal deve defender o desarmamento geral e universal” (pag. 110).
Não dá para acreditar? Confirmem aqui.
É tão evidente que a entrevista a Carolina Patrocínio ao jornal i foi combinada ao pormenor que vão agora dizer-nos, como é de moda, que é tão óbvio tão óbvio que a coisa foi montada para limpar a imagem da mandatária que vota aos 17 anos que é evidente que ninguém no PS seria tonto ao ponto de aceitar uma entrevista com perguntas combinadas previamente.
E basta ver como as perguntas nunca são consequência das respostas. É uma entrevista estanque, em que a entrevistadora nunca pega em palavras da resposta para, de seguida, fazer uma pergunta. Tudo como se a coisa tivesse sido feita por e-mail.
E depois há algo que me intriga. A entrevista é toda ela conduzida para falar de Sócrates e das suas reformas. Mas estamos a falar da Mandatária para a Juventude. Alguma questão ou palavra sobre educação? Não! Alguma referência a políticas de juventude? Não! A palavra jovem nunca aparece, a palavra jovens aparece uma vez e a palavra juventude aparece apenas antecedida da palavra mandatária.
Para que serve uma Mandatária para a Juventude que não se pronuncia sobre educação? Sobre políticas de juventude? Sobre primeiro emprego?
Esta entrevista foi um logro. Tal como o socialismo que nos governa.
Face a José Sócrates, a nebulosa programática do PSD sob o eixo da política de verdade, onde tudo cabe e tudo está em aberto, funciona bem e assume uma alternativa. A nebulosa parece um compromisso político conservador e avesso a promessas eleitorais por contraste a um país de fantasia criado por Sócrates.
Face a Paulo Portas, a nebulosa programática do PSD não consegue disfarçar-se de outra coisa qualquer. Porque, mal ou bem, essa nebulosa não consegue combater o Programa do CDS, onde são apresentadas, bem ou mal, ideias concretas, com prioridades definidas.
Face a José Sócrates, o programa do PSD parece um cheque com provisão perante um cheque sem provisão. Face a Paulo Portas, o programa do PSD parece um cheque em branco perante um cheque visado.
Isto não significa que a estratégia de Ferreira Leite esteja errada. É que o adversário da líder do PSD é precisamente José Sócrates e não Paulo Portas.
Quando Paulo Portas já não podia responder, Manuela Ferreira Leite tentou lançar o boato de coligação PS com o CDS. Mas violando as regras Paulo Portas respondeu. E respondeu lembrando que são vários os dirigentes do PSD a clamar pelo bloco central.
Por amor à verdade ou não, aquilo que Manuela Ferreira Leite pede ao eleitorado é um cheque em branco. Ela logo preencherá, dia a dia, o que é que vai fazer no Governo. Mas esperava-se um pouco mais de alguém que afirma ser a única alternativa ao PS.
Manuela Ferreira Leite apenas nega o Bloco Central se for Presidente do PSD. E se, para efeitos de Bloco Central, Manuela Ferreira Leite se demitir?
O CDS está no arco da governabilidade de pleno direito. Manuela Ferreira Leite reconhece-o. E o eleitorado de direita também.
Manuela Ferreira Leite demonstra um excelente sentido de humor! Convidem Manuela Moura Guedes para a RTP :)
Manuela Ferreira Leite diz que a democracia se avalia pelo número de eleições ganhas. O que faz de Alberto João Jardim, de facto, o maior democrata português.
Manuela Ferreira Leite pode tentar emendar a ida à Madeira. Mas não consegue. E não consegue responder aos exemplos dados por Paulo Portas de asfixia democrática na Madeira.
Alberto João Jardim foi despromovido a poeira.
Manuela Ferreira Leite ainda não apresentou uma única proposta de reforma do RSI.
Manuela Ferreira Leite não se compromete com modificação do ordenamento penal português e não apresenta uma qualquer proposta concreta em matéria de segurança.
Manuela Ferreira Leite parece acreditar que só quem recebe (e todos eles) o RSI é que está em situação de miséria.
Paulo Portas apresenta propostas concretas para reformar o Rendimento Social de Inserção.
Manuela Ferreira Leite tenta fingir que o PSD diz sobre o Rendimento Social de Inserção o mesmo que é dito pelo CDS, só que sem chamar de subsídio à preguiça.
Manuela Ferreira Leite conta, em pouco tempo, com a redução do desemprego para compensar a redução da TSU. Isso é uma promessa?
Manuela Ferreira Leite não consegue explicar como compensa a redução da TSU. E chega mesmo a falar de incentivos (públicos, imagina-se) para ajudar as empresas.
Manuela Ferreira Leite faz da redução da TSU o seu cavalo de batalha, como se esta redução não implicasse, também ela, uma necessidade de reacerto das contas públicas e não agravasse o défice.
Manuela Ferreira Leite tenta insinuar uma polítca fiscal de redução de impostos, sem afirmar que os vai reduzir. Qualquer coisa parecida com ambiguidade, de facto.
Como é evidente, esta coisa de começar pela táctica foi começar pelo fim, e impediu os dois candidatos de serem claros nas respostas.
Paulo Portas assume, mais uma vez, que o CDS não está, perante o PS e PSD, à mesma distância.
Manuela Ferreira Leite diz que não precisa de votos do CDS para ganhar.
Manuela Ferreira Leite tem como objectivo ser a próxima primeira-ministra de Portugal e para isso, afirma, precisa de ter mais votos do que o PS. Não é bem verdade, mas Judite de Sousa não sabe.
E este debate começa com a táctica em vez de começar com as políticas. É o primeiro debate a começar - e não a terminar - por alianças.
Já no Doing Business, do Banco Mundial, Portugal aparece no 48.º lugar no ranking de países com melhor ambiente para negócios. Mais uma vez, ao contrário do que parece pensar este Governo quando pensa nas soluções para a crise, Portugal foge à sua média em índices como Employing Workers (171.º em 183 países) Dealing with Construction Permits (111.º), Paying Taxes (80.º - descemos 8 lugares desde o ano passado neste índice que mede a carga fiscal), Getting Credit (87.º) e Starting a Business (60.º - aqui descemos 21 lugares desde o ano passado). Registem-se, no entanto, as melhorias no Registering Property.
Uma vista de olhos ao Global Competitiveness Report 2009-2010 (a que chego pelo Novo Rumo) dá bem conta das reformas que verdadeiramente interessam ao país para o tornar competitivo, como nota o Miguel Noronha.
Portugal, que está em 43.º lugar no geral, foge à sua própria média em índices como Flexibility of wage determination (106.º), Rigidity of employment (102.º), Hiring and firing practices (129.º), Efficiency of legal framework in settling disputes (107.º), Extent and effect of taxation (102.º), Burden of government regulation (99.º), Government debt (117.º), National savings rate (113.º) ou Quality of math and science education (104.º).
Quanto às infra-estruturas, para onde o Governo quer canalizar dinheiro, estamos, em média, em 23.º, muito acima, por isso, da nossa média geral.
É também isto que está em questão nas próximas eleições: as opções que os vários partidos propõem para fazer o país crescer.
aborto(1)
açores(2)
adopção(1)
agricultura(2)
água(1)
ambiente(22)
be(2)
biografias(1)
bloco(14)
bloco central(19)
blogconf(10)
calúnia(1)
campanha(2)
cartazes(9)
casamento(3)
casamento entre pessoas do mesmo sexo(12)
cds(55)
censura(1)
centralismo(1)
centrão(6)
código de execução de penas(1)
coligações(3)
comunismo(6)
confiança(1)
debates(132)
demagogia(2)
democracia(7)
desemprego(2)
economia(64)
educação(16)
eleições(49)
emprego(3)
energia(24)
estado(2)
estalinismo(4)
família(4)
fiscalidade(24)
imigração(4)
inovação(5)
justiça(16)
leninismo(5)
liberalismo(20)
liberdade(10)
louçã(3)
magalhães(4)
maoismo(4)
marketing(4)
marxismo(2)
media(15)
mercado(2)
meritocracia(4)
mobilidade(6)
não(2)
natalidade(41)
portugal(2)
programa cds(23)
programa ps(17)
programa psd(2)
ps(43)
psd(24)
rua direita(25)
saúde(11)
segurança(7)
simplex(2)
socialismo(2)
sócrates(8)
socrates(2)
subsídios(7)
trotskismo(5)
tvi(2)
voluntariado(2)
voto útil(22)