Francisco Louça para além de ser líder do Bloco de Esquerda é professor universitário. Catedrático em Economia.
Tem, assim, especiais responsabilidades no que diz sobre o tema. Não é um cidadão comum ou, como os juristas gostam de dizer, um homem médio, mas sim alguém com especiais responsabilidades.
Aliás, note-se, Francisco Louça, ainda que subliminarmente, não deixa de chamar a sua especial auctoritas no que concerne a temas económicos.
Porém, o mesmo Francisco Louça que é professor catedrático não hesita em cometer erros – que, no caso concreto, só podem ser cometidos dolosamente – para amealhar mais uns votos. Três exemplos.
O primeiro e mais óbvio consiste em afirmar que as Nacionalizações de 74/75 foram feitas para salvar a economia do país, dando um pontapé em toda a história económica. Mas deixemos este cado de lado, concedendo que se deve apenas a uma visão distorcida da realidade
De facto, muito mais grave foi a afirmação de Francisco Louça - feita pouco antes da pré-campanha – de que “se metermos duas notas numa caixa e esperarmos um ano, no final temos apenas duas notas”, para concluir a final que “o capital nada cria, tudo é criado pelo trabalho”.
A confusão dolosa e ardilosa entre dinheiro e capital enquanto meio de produção foi tão escandalosa que mereceu um fortíssimo ataque em artigo de opinião do seu Colega de Faculdade, Doutor João Duque, dizendo mesmo que tal afirmação quando feita por um aluno do primeiro ano de economia significaria um chumbo na certa.
Mas nós, culpa nossa, nunca confrontamos Louça com as suas incoerências, dando-lhe roda solta para continuar a pontapear a economia, da qual é catedrático.
Já em plena campanha surge o último exemplo: parte da Galp foi vendida a Américo Amorim (na verdade foi vendida à Amorim Energia, o que não é a mesma coisa, mas avante) por 1700 milhões de euros e tem lucros de 300/400 milhões de euros, para concluir que em 4/5 anos o investimento feito pelo empresário se encontrará pago.
Mas, como já se disse, Louça não é um cidadão qualquer e sabe que o seu raciocínio não é simplesmente errado, mas sim falso, dolosamente construído para enganar.
Louça não pode deixar de saber que 1700 milhões de euros custam dinheiro, muito dinheiro, pois, haverá que pagar juros sobre esse montante ou remunerar o capital caso a compra tenha sido efectuada com base em capitais próprios.
Ora, admitindo uma taxa de 3,5% no financiamento, tal facto significa que o serviço anual da dívida será de cerca de 59,5 milhões de euros (fora comissões, encargos e tudo o mais).
Por outro lado, como Louça não pode deixar de saber o lucro líquido do exercício não se confunde com a remuneração aos accionistas, na medida em que uma parte – parte significativa – não é distribuída.
Assim, admitindo um pay out de 50% (muito generoso diga-se), aos accionistas apenas será distribuído cerca de 200 milhões de euros.
Mas mais: como Louça muito bem sabe a Amorim Energia apenas detém 33% do capital social da Galp, pelo que apenas receberá – como é lógico e evidente – 33% dos 200 milhões de euros distribuídos, ou seja, 66 milhões de euros.
Assim, a verdade é que para pagar o seu investimento apenas à custa da distribuição de dividendos manifestamente não bastariam os 4/5 anos esgrimidos por louça, mas sim 261,5 anos.
Mas claro há um outro factor – para mim o mais importante – e que Louça também não gosta de falar: os resultados que a Galp apresenta hoje apenas são possíveis por causa da sua nova gestão.
Enquanto o Estado por lá andou nunca foram sequer comparáveis. Desde a sua privatização a Galp mudou o rumo, investiu na produção, correu riscos e criou riqueza, enquanto durante o tempo de controlo estatal se limitou a explorar um monopólio.
Essa é toda a diferença entre a gestão pública e privada.
Contas simples que demonstram o erro doloso de Louça, relembre-se Catedrático em economia.
Assim, usando uma expressão que Louça tanto gosta, votar Bloco é votar na aldrabice. É votar na desinformação.
Em Aveiro também é útil votar CDS.
Face às sondagens, a distribuição de mandatos será:
Em Aveiro, votar CDS é muito útil: retirará a maioria ao PS.
A racionalidade do voto no CDS decorre, como o Adolfo já explicou, da matemática: em muitos casos o CDS não disputa eleitos com o PSD, mas sim com o PS e com o BE e/ou CDU.
Por outro lado, há ter em consideração que para que haja uma maioria de centro direita - que é o que releva – PSD e CDS necessitam de ter juntos entre 44% e 45%, mas não quaisquer 44% ou 45%.
Isto é, se o PSD tiver 39% a 40% do votos e o CDS 4% a 5% (nem com Cavaco teve menos) não haverá maioria de centro direita em Portugal, na medida em que em muitos distritos o CDS deixará de eleger deputados que serão eleitos directamente pelo PS e BE (sobretudo).
Já se o PSD tiver entre 34% a 36% dos votos (sejamos sinceros, muito mais realista do que 40%) e o CDS perto de 10% (que também é realista), haverá uma maioria de centro direita.
Assim, o voto no CDS não só é útil pelo que defende e impõe, como é racional.
Eis que a malta com quem o PS se quer coligar ainda me consegue surpreender:
Ontem, um amigo mais velho confidenciou-me que iria voltar a votar no CDS, o que não fazia desde 75/76, com uma explicação claríssima: sempre achou que se encontrava mais perto do CDS do que do PSD, mas desde que se tornou claro que o PSD era o partido mais forte à direita do PS sempre tinha votado útil no mesmo – ou para evitar uma maioria de esquerda, ora conseguir uma vitória à direita – à excepção de eleições autárquicas ou europeias, onde voltava a votar CDS.
Que mudou então nestas eleições, perguntei eu.
É fácil, percebi que o meu voto útil tem sido de uma inutilidade total para o País.
Publico texto que me fizeram chegar com pedido de publicação que, aliás, subscrevo.
Especialistas no combate à pobreza reuniram-se no passado fim de semana na Faculdade de Economia da Universidade do Porto para analisar a questão da pobreza em Portugal. Algumas conclusões importantes: o número de pobres ( aqueles que têm um rendimento inferior a 60% do rendimento médio português) não se altera significativamente há dez anos ( 2 milhões/18% da população portuguesa); a lógica assistencialista não consegue quebrar o problema estrutural;os apoios sociais, sem dúvida importantes em situações extremas de miséria, não são a solução, sobretudo porque o ciclo não se quebra e os beneficiários no final do período em que são apoiados continuam sem estar capacitados para entrar no mercado de trabalho; quando as medidas provisórias se tornam permanentes, o ônus para o Estado é considerável. A luz destas conclusões, torna-se ainda mais claro que é necessário uma nova abordagem a esta questão. Um país que se quer mais justo procura acabar com os pobres e não com os ricos que podem gerar efeitos multiplicadores de riqueza com externalidades positivas para a restante sociedade ( sobretudo emprego, mas não só). Um país que se quer mais sério não distingue pobres de pobres assitidos, mas procura que os pobres o deixem de ser. É aqui que encaixa o discurso e as propostas do CDS sobre o rendimento mínimo que tanta celeuma têm levantado.Não o entender é continuar amarrado a paradigmas errados.
Manuel Leite da Costa
E, como nós somos todos parvos, vamos acreditar que não houve partidarização nenhuma e que é pura coincidência tratar-se de um caso inédito, como obviamente foi pura coincidência ter sido despoletado pelos elementos indicados pelo PS.
Deve ser uma coincidência do mesmo género daquela que levou o Dr. Lopes da Mota a "dar uma palavrinha" aos seus Colegas encarregues do caso Freeport.
O Bloco Central entreteve-se, durante a primeira semana de campanha, a discutir o TGV; agora, durante a segunda e última semana, a discutir o Presidente, as escutas e a demissão de Fernando Lima.
Entretanto, parece que não se deram conta que o Portugal atravessa uma fortíssima crise, que há dois milhões de pobres, que milhares de empresas fecham e por isso o desemprego cresce de forma descontrolada, que a agricultura definha e que os portugueses ainda têm que pagar impostos elevadíssimos.
Mas quem sou eu, cada um tem as suas prioridades.
Quer mesmo Louça a fazer parte de um "Maioria para Governar"?
O Público noticiou, no passado Domingo, esta notícia, o que me levou a escrever ao seu director a carta que reproduzo infra.
Exmo. Senhor Director,
Faço referência ao artigo publicado na Edição de Domingo, dia 20 de Setembro, próximo passado, sobre a epígrafe “Insultos e alguma confusão na passagem do CDS por Espinho”.
Com efeito, após a leitura do referido artigo, vejo-me obrigado, Senhor Director, a dirigir-lhe a presente, na medida em que o artigo em crise não só não se compadece - de todo - com a verdade nua e objectiva da arruada efectuada em Espinho pelo CDS/PP no dia anterior, como, infelizmente, desprestigia esse Jornal de referência que V. Exa. superiormente dirige.
Na verdade, o título do artigo em análise é manifestamente desadequado para sintetizar o que se passou em Espinho, sendo absolutamente tendencioso. Devo dizer-lhe que esta foi a maior arruada que alguma vez se realizou em Espinho, tendo o CDS/PP sido entusiasticamente recebido por dezenas, porventura centenas, de apoiantes e simpatizantes. Como seguramente a Jornalista em questão lhe poderá confirmar o CDS/PP (e o seu Presidente em especial) foram acarinhados e incentivados pela população, sendo evidente o acolhimento e identificação popular com as propostas e o trabalho do CDS/PP.
Assim, resumir a passagem do CDS/PP por Espinho a dois incidentes de pequeníssima monta (que, devo confessar-lhe, no local nem me apercebi), relatando os mesmos com honras de título e tudo, em detrimento de noticiar as centenas de pessoas que apoiaram, pediram fotografias, cumprimentaram e incentivaram o CDS/PP é ver a árvore e não ver a floresta. Confundir uma gota com o oceano, desculpe dizer-lhe, não é sério nem próprio de um Jornal com os pergaminhos do Público. Acredito que dê mais leitores, acredito que venda mais, acredito que crie mais sensação, mas informa substancialmente menos e com menor rigor. Peço-lhe, assim, a publicação da presente. Com os protestos da minha consideração.
Diogo Duarte de Campos
Advogado Militante do CDS/PP
Mais um interessante post do Pedro Pestana Bastos, no caso sobre as sondagens.
Como já sou gordo, tenho que ser gordo.
Mas sinceramente não consigo resistir.
Ainda agora o ouvi dizer, referindo-se às consequências das nacionalizações, que se fosse necessário indemnizar as mesmas agravariam a dívida pública.
Mas será que é possível que no Sec. XXI alguém fale em nacionalizações e tenha qualquer dúvida sobre a imprescindibilidade de indemnizar os detentores dos bens nacionalizados...
Eu sei que já um exotismo em pleno Sec. XXI propor nacionalizações, mas sinceramente não estava preparado para a defesa de um furto de Estado.
Seguramente, defeito meu.
O problema do PPR de Louça não é o facto deste existir - é incongruente, mas não é um problema.
O que verdadeiramente me chateia é achar que somos todos tolos: então não é que vem dizer que defende o interesse comum em detrimento do seu, ao defender a extinção daqueles produtos financeiros, quando a verdade é que Louça já encaixou os benefícios fiscais, mas não quer que mais ninguém beneficie...
Deixo-vos apenas o primeiro artigo de uma das associações que o integram:
Vejo que Ana Gomes para além de desejar uma coligação com o Bloco, apenas exclui das possiveis noivas do PS o CDS, com um profundo "nunca" e o PCP pela questão europeia.
Quanto ao CDS agradeço e informo que o sentimento é recíproco, quanto ao PCP é que fico baralhado até porque PCP e Bloco são semelhantes em Portugal e idênticos na questão europeia (estão até no mesmo Grupo Parlamentar).
Dois bons posts sobre a notícia de hoje do DN: aqui e aqui.
Peço-vos apenas que leiam as últimas teses aprovadas (aqui).
Deixo-vos apenas esta pérola , sob a epígrafe "A ESQUERDA E A CONSTRUÇÃO DO NOVO INTERNACIONALISMO":
No Brasil, Venezuela, Bolívia, Uruguai, Equador e Paraguai foram eleitos governantes que se reclamam da esquerda e há hoje um novo quadro de luta social. Não se podem tomar estas realidades como um processo único: os governos e as forças políticas que dirigem estes processos são diferentes em tradições, políticas e expressão social, tendo alguns prosseguido políticas financeiras alinhadas com a estratégia do FMI (Brasil e Uruguai) e sido acusados de corrupção (Brasil), enquanto se desenvolvem políticas de protecção social mínima em contextos de grande pobreza (Argentina, Brasil, Venezuela, Bolívia), a nacionalização de alguns sectores da economia (Venezuela, Bolívia) e de recursos energéticos fundamentais, defendendo os direitos dos povos indígenas (Bolívia e Equador). Estes governos estão envolvidos em processos de concertação regional. O Bloco de Esquerda tem como matriz fundacional a construção de uma nova esquerda, socialista e internacionalista, e rejeita as tradições alinhadas com os regimes da URSS ou da China, assim como recusa as tradições populistas. Os nossos parceiros não são os governos mas as forças da esquerda popular que actuam em nome da transformação social. O Bloco toma posição clara contra a chantagem que quer apropriar-se do petróleo e do gás através de ameaças e do golpismo na Venezuela, Bolívia e Equador e apoia a cooperação latino-americana contra o império.
Naturalmente, a única forma de evitar o descalabro é votar à direita do PS.
Coligando-se o PS com o Bloco como vem sendo defendido, desconfio que a actual crise económica não terá apenas semelhanças com a 1974/75.
A opção do CDS em transferir cerca de 25% das verbas do rendimento mínimo para as pensões, resume bem o espírito liberal: liberdade total, responsabilidade absoluta.
Trata-se, tão-só, de aceitar que alguns não trabalham pela simples razão de que não querem e por essa opção de vida devem ser responsáveis e não toda a comunidade. Têm, naturalmente, toda a liberdade para o fazer, mas não podem é pedir para ser a comunidade a responsável pela por essa sua opção, individual e livre sublinhe-se.
Ao contrário do que diz o Senhor Primeiro Ministro, este é o momento ideal para comentar e explicar este caso.
O Bloco tem conseguido, desde sempre, agregar um conjunto muito heterogéneo de votantes. Desde decepcionados com o PCP a radicais de esquerda órfãos de representatividade, até moderados de esquerda que, por uma razão ou outra, estando frustrados com o sistema político resolveram dar o seu voto ao Bloco.
Mas, para além destes, o Bloco conseguiu agregar votantes simples desiludidos com o sistema ou com a vida em geral viam no Bloco a sua forma de protesto.
No fundo, a massa agregadora deste autêntico saco de gatos era o facto de protestarem contra alguma coisa: não votavam a favor de nada, mas sim contra. Ouvia-se, ainda se ouve, que era um voto sem risco: nunca chegariam ao poder, mas seriam uma voz incómoda; preferiam eleger Louça ao 23º ou 15º deputado do PS ou do PSD que nunca ninguém sabe quem é.
Porém, hoje, tudo mudou.
Nestas eleições é real o perigo de o Bloco ter 10% dos votos e se coligar com o PS.
Assim sendo, quando se vota Bloco não se vota contra, mas a favor: a favor da nacionalização da banca, a favor da nacionalização dos seguros, da energia. A favor de uma carga fiscal superior e da tributação de telemóveis.
Votar bloco, hoje, não é votar contra nada, mas votar a favor de um modelo de sociedade em tudo idêntico ao preconizado pelo partido comunista.
É votar a favor de um Estado, controlador, obeso e de uma sociedade pública, onde a inicitiva privada não tem lugar.
É por isso que, hoje, votar Bloco (et pour cause PS), ao contrário de há 10 anos atrás, é perigoso.
E tu, ainda vais votar Bloco?
Existirá assim tanta diferença entre os ”corninhos” do ex Ministro Pinho e as declarações do Ex- Primeiro Ministro José Sócrates, primeiro no congresso do PS (onde enxovalhou o Público e a TVI), depois na entrevista conjunta à RTP e à SIC (onde apupou a TVI de jornalismo transvestido) e, finalmente, na entrevista que concedeu à Maria Flor Pedroso (ver aqui)?
Parece-me que não.
Qualquer um dos casos é revelador de uma falta de edução e civismo impróprios para quem quer desempenhar cargos públicos.
O grande problema foi, como tantas vezes é, que enquanto o ataque foi dirigido a Manuela Moura Guedes a generalidade das pessoas não se revoltou. Não perceberam que, logo naquele primeiro caso, não era o jornalismo de Moura Guedes que estava em causa, mas sim a atitude do Primeiro Ministro.
O politicamente correcto bem pensante, que naturalmente não gostava do Jornal da Noite de sexta-feira, prescindiu dos princípios (da defesa da liberdade de imprensa, seja ela boa ou má) porque, no fundo, até gostariam que aquele telejornal acabasse.
E deveria ter sido logo naquele primeiro momento que alguém deveria ter dito: o Senhor não tem condições para continuar a exercer funções públicas, porque nenhum Ministro (e o primeiro por maioria de razões) pode ofender, maltratar ou desprestigiar qualquer português, goste ou não goste dele e do que faz.
Caso contrário será de perguntar: porque não pode Pinho fazer corninhos a Bernardino Soares e pode Sócrates chamar o que chamou a Moura Guedes? Qual é a diferença?
E tu, ainda vais votar PS?
No debate com Manuela Ferreira Leite, Louça reescreveu a história afirmando que as nacionalizações foram feitas para salva a economia (algo que julgo que nem o PCP defenderá).
Hoje, vejo que Louça pretende mesmo regressar ao passado, defendendo a reforma agrária.
Meu caro Francisco Louça, se a justificação for novamente “salvar a economia nacional”, desde já agradecemos a sua preocupação, mas pode permanecer no seu sófá em Lisboa.
Já agora, não se esqueçam que é com esta malta que Sócrates se quer coligar... (notícia de ontem no i cujo link não encontro).
Louçã no debate com MFL disse que o privado era mau, insultando um número indeterminado de professores do ensino privado, de médicos com consultórios privados, de hospitais privados, etc, etc...
No debate com Portas, referindo-se aos dentistas, passou-lhes literalmente a mão pelo pêlo referindo o excelente serviço prestado.
Doutor Louça afinal em que é que ficamos: o privado é bom ou é mau?
O BE já foi o “partido que não é um partido” e também já foi o “o partido que não vai em futebois”. Ontem, ao que ouvi na televisão, foi o partido da camioneta, tantas as que foram necessárias para encher o pavilhão Atlântico.
Deve andar a aprender com o PS.
Sem prejuízo de uma análise mais cuidada (mais pormenorizada), as primeiras ilações que tiro da série de debates são a seguinte:
Querem-nos impor que estas eleições são apenas entre PS e PSD e a verdade é que o debate que os portugueses mais quiseram ver foi entre o Sócrates e Portas.
Curioso, não é? Dá que pensar…
Uma ideia que durante muitos anos fez doutrina em Portugal consiste em fazer crer que, nos que aos Partidos do arco da governabilidade tange (PS, PSD e CDS), as transferências de votos se fazem apenas de forma directa, ou seja, o PSD retiraria votos ao PS e o CDS ao PSD.
Dito de outra forma, a referida doutrina pressupõe, no que ao CDS tange, que este termina onde começa o PSD.
Naturalmente, esta ideia, repetida vezes sem conta nos órgãos de comunicação social, embora apelativa (para o bloco central), não é inocente. Com a mesma pretende-se eternizar a influência determinante que o bloco central já tem tido nos últimos 30 anos, fazendo crer que as fatias mais móveis do eleitorado apenas pelos partidos do centro são apropriadas.
Por outro lado, pretende-se, também, subliminarmente é certo, justificar o voto útil: todo o crescimento do CDS seria feito exclusivamente à custa do PSD
Porém, como as recentes eleições europeias vieram demonstrar e a sondagem hoje publicada confirma, é possível que os dois Partidos à direita do PS cresçam em conjunto, donde, sem “canibalizarem” (confesso que não gosto do termo, mas não me ocorre outro) votos entre si.
Aliás, é curioso notar que no Distrito onde o CDS se encontra mais fortemente implantado – Aveiro – os seus bons resultados autárquicos não se fazem “à custa” do PSD, mas sim do PS. Veja-se como nos concelhos onde o CDS é mais forte o PS praticamente não existe em termos autárquicos (v.g. Albergaria, Oliveira do Bairro, Vagos ou Vale de Cambra), tendo também piores resultados em eleições legislativas (em relação à média nacional).
Pergunta-se então porque assim será?
Julgo que a resposta se encontra no facto de o CDS – ao contrário do que se faz crer - não terminar onde começa o PSD. Sem prejuízo de hoje dificilmente se poder dizer que o CDS é um partido centrista, aberto de igual maneira ao centro esquerda e ao centro direita (como terá sido com Freitas do Amaral), situando-se à direita do espectro partidário, o mesmo, sobretudo (mas não exclusivamente), na sua dimensão democrata cristã ou até mesmo social cristã, entra claramente em eleitorado que também vota ou votou PS e até em partidos mais à esquerda.
O CDS é, assim, um partido que atravessa todo o eleitorado tipicamente votante no PSD (com liberais e conservadores moderados), indo tocar directamente no PS (mas sem estar no pântano do bloco central), permitindo, assim, a subida simultânea dos dois partidos.
Donde, aos votantes que pretendem uma alternativa ao PS a escolha será simples: qual dos dois partidos (CDS e PSD) melhor defende os meus princípios e valores? Qual dos dois partidos tem ideias mais claras para país? Qual o partido que apresenta melhor candidato a Primeiro-ministro?
Julgo que o debate de ontem foi elucidativo sobre essas questões.
Como também já foi notado aqui, a principal conclusão desta sondagem é a subida simultânena dos partidos à direita do PS (sobretudo do CDS que triplica o seu resultado.), por oposição à queda do PS e Bloco de Esquerda.
Fica, também, mais claro que votar PS é votar Louça para Ministro das Finanças.
João Cardoso Rosas
Professor de Filosofia Política na Universidade do Minho
Gostava muito de saber se o Senhor Primeiro ministro tem por hábito ligar para jornalistas.
Ora cá estar uma belíssima razão.
De facto, nos tempos que correm, a pergunta que os eleitores se devem fazer é a seguinte: Qual o partido mais habilitado para o País começar a criar riqueza?
Parece não haver dúvida que a resposta a este pergunta não se encontra à esquerda, nem se coaduna com a tibieza do centrão.
A Rua mais ali à esquerda ainda não comentou a entrevista de Filipe Pinhal, hoje, ao Jornal de Negócios.
Presumo, portanto, que nada tenham a opor quanto ao facto deste afirmar que “o Governo PS interveio e deu luz verde política no assalto ao BCP”.
O Bloco central não é mais do mesmo; é o dobro do mesmo.
Hoje, no RCP a propósito da reforma da Justiça (não consegui identificar o interveniente).
Ontem, no debate entre Ferreira Leite e Francisco Louça, este último defendeu um conjunto de posições que, em qualquer outro país, teria merecido a forte oposição do seu interlocutor, bem como a demonstração da sua inconveniência e demagogia por parte dos comentadores.
Mas não. Tudo passou com calma, com serenidade.
Será possível que alguém defenda a nacionalização da Galp e da EDP e ninguém pergunte ao seu interlocutor: (i) quanto custa? (ii) como se paga? (iii) Que méritos tem? Pior, será possível que alguém consiga defender que tais nacionalizações ajudam a combater o deficit e ninguém se insurja?
Como será possível que Louça tenha reescrito a história dizendo que as nacionalizações pós 25 de Abril foram feitas para salvar a economia e ninguém se indigne? Esta não é uma pequena questão. Uma atoarda destas não merece - não pode merecer - um simples “olhe que não foi bem assim”.
Francisco Louça falou do monopólio da EDP e ninguém lhe lembrou que, desde a liberalização do mercado da energia, a EDP deixou de ser um monopólio verticalmente integrado e que, pelo menos na produção e na comercialização, há concorrência?
Como será possível que Louça consiga deixar no ar que a electricidade é mais cara em Portugal porque a EDP é privada, quando qualquer pessoa minimamente informada sabe que este é um mercado especialmente regulado, designadamente quanto às tarifas a praticar?
Também por tudo isto é necessário votar CDS.
A mudança cultural não se faz com múltiplos “concordo” envergonhados de Ferreira Leite.
A mudança cultural faz-se com quem, representando as direitas, não tem vergonha de o ser.
E eu fiquei sem perceber porque é que ando a poupar dinheiro para ver se a minha filha pode ir para um colégio privado.
Devo ser eu que sou maluco.
E eu fiquei sem perceber porque é há cada vez mais pessoas a quererem ter seguro de saúde.
Devemos andar todos sem saber o que fazer ao dinheiro.
E eu fiquei sem perceber porque é que o Hospital da CUF (por exemplo) ainda não fechou e até abriu agora um cá no Porto.
Devemos ser todos tontos.
Sócrates finge apontar o dedo ao passado. Uma táctica para esconder que ele é o passado, o pior passado, o passado que ainda nos pesa.
José Ribeiro e Castro
Ainda há quem defenda que apenas dois debates de centrão seriam mais esclarecedores que 10 debates, onde todos estão contra todos.
A argumentação parte do facto de, no modelo actual, os debates serem de 45 minutos (crítica com a qual concordo), para acabar com solução 2 debates de 90 minutos.
Não seria mais fácil e racional propor que cada um dos 10 debates tivesse mais minutos?
Ao escrever este post lembrei-me do conselho que o meu Pai me deu logo quando comecei o estágio: faz peças curtas e directas; quem muito se explica, complica-se. Percebe-se logo que há ali gato.
Depois da explicação "Moura Guedes foi deputada do CDS", seguiu-se a explicação, aliás, típica, "trata-se de uma mera decisão empresarial", surge agora a explicação "processo disciplinar".
Aguardo com candura o desenrolar do dia, porque, como me ensinaram logo no primeiro ano da faculdade: a realidade é muito mais prodigiosa que a capacidade de antecipação humana.
O PS exigiu uma “explicação cabal” à Administração da TVI sobre o saneamento de Manuela Moura Guedes.
Será que o PS também vai exigir uma "explicação cabal" ao Governo sobre o embargo ministerial ao Jornal Nacional da TVI?
Quanto mais primo mais se lhe arrima.
No dia em que o Manuela Moura Guedes foi saneada da TVI, o noticiário da RTPN da 1 da manhã passou largos minutos da intervenção do Eng. Sócrates em Coimbra. A falar de energias renováveis.
Haverá alguém mais "perseguido pelo seu passado" que o Senhor Primeiro Ministro?
Pode ser uma forma de ver a democracia, mas duvido que seja a dos Portugueses.
que a questão do desemprego seja analisada deste ponto de vista:
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