Há um aspecto claro que tem marcado esta campanha e que merece atenção. A identificação popular.
Talvez por estarmos num momento de descrédito em relação ao sistema político e aos governantes, sinto que nestas eleições os Portugueses estão mais receptivos a determinados discursos, nomeadamente a discursos claros e objectivos.
Claramente neste ponto o CDS tem marcado posição e o eleitorado tem apreciado essa conduta. O CDS e a sua máquina têm falado claro, quer nos debates quer nas iniciativas de rua e o resultado tem sido também ele claro.
O eleitorado finalmente percebe o que um partido tem para dizer. O eleitorado identifica-se, finalmente, com aquilo que um dirigente político afirma. De facto, nos km que o CDS tem percorrido nota-se, dia após dia, um aproximar dos cidadãos, o seu interesse por aquilo que se diz. Quer se concorde quer não, a verdade é que as medidas do CDS para a economia/finanças, segurança social, saúde, entre outras, têm sido apreendidas e objecto de reflexão.
Afinal, falar claro ainda compensa. Veremos!
O debate confirmou. MFL sabe a pouco, mas quer muito. MFL não gosta muito de discutir, nem sequer de conversar. Gosta de mandar, à sua maneira.
As ideias que tem até parecem boas, mas pecam por falta de concretização. Mais uma vez, ficou demonstrado o pânico que MFL tem a compromissos. No seu entender, o dia-a-dia mostrar-lhe-á o caminho e seguir e os portugueses deverão acreditar na sua capacidade para a cada momento saber o que fazer. Contudo, acho que assim não se safa...
No debate entre Paulo Portas e Manuela Ferreira Leite venceu a clareza da mensagem. E alguma razão.
Em princípio, os debates que juntam líderes políticos com uma mancha comum de eleitorado pela qual lutam prometem sempre mais. É uma tarefa difícil, a de gerir uma cortesia que é dada pelas semelhanças de propostas com a agressividade que é necessária para se fazer perceber as diferenças. Nesse respeito, Paulo Portas, como sound bite master que é, venceu em toda a linha, com uma ou outra excepção. Mas também é preciso dizer que este formato de debates pouco mais serve, do ponto de vista do espectador, do que apreciar a natureza humana de cada participante (leia-se: quem é que perde a cabeça primeiro, se há "sangue" ou não). Em matéria de esclarecimento real sobra pouco - mas apesar de tudo mais do que o formato "tudo ao molho" do Prós&Contras. Adiante.
Já se sabia à partida que a opção pela discrição e restrição à "política de verdade" de Manuela Ferreira Leite não funciona em televisão. Este assumido posicionamento anti-linguagem mediática (que é em si um posicionamento de estratégia mediática, mas isso fica para outro dia) torna tudo muito mais difícil para a líder do PSD. Portas é o contrário; e inicia o debate distanciando-se com clareza da mancha ideológica que poderia haver - o CDS não é um partido "supletivo" e sobretudo é "claro onde o PSD é ambíguo e diferente onde o PSD é igual ao PS". Bom ataque ao "Centrão", com a introdução do conceito de ruptura serena.
A dra. Ferreira Leite replicou bem e provavelmente com o primeiro sound bite correcto que lhe ouvi desde que foi eleita:"O nosso objectivo é que o próximo primeiro-ministro não seja José Sócrates". Bom de ouvir, directo e um pedido ímplicito ao voto do eleitorado CDS.
Depois os temas foram discutidos do modo possível: Portas a reclamar para o CDS o "voto de clarificação" ao mesmo tempo que reclamava com o alegado abuso do seu tempo, como ontem Cristiano Ronaldo fazia sempre que caía no chão: sem razão. Mas explicou as áreas em que o programa do PSD lhe parecia ambíguo sem uma resposta clara de Manuela Ferreira Leite. A líder do PSD tentou entretanto colar o programa do CDS para a redução da Taxa de Rendimento Mínimo como uma medida injusta e de direita radical. Portas não conseguiu ou não teve tempo para a contrariar.
Mas foi na questão da Justiça e Segurança - quanto a mim os pontos mais sólidos do CDS - que Portas ganhou o debate. Não chegou a Ferreira Leite lembrar a abstenção do CDS aquando das alterações ao Código Penal (que ambos responsabilizam pelo aumento de criminalidade): Portas apresentou medidas concretas e não obteve resposta.
Sobre Sócrates, a coisa foi pacífica. Mas Manuela Ferreira Leite não consegue visivelmente conviver com a espinha que o PSD tem atravessada há quase 30 anos: Alberto João Jardim. À acusação de Portas de que na Madeira existe um regime "caciquista", Ferreira Leite remeteu a "asfixia democrática" para o continente. Muito mau, se lembrarmos a extraordinária resposta a uma jornalista que lhe perguntou sobre o deputado impedido pelo PSD de entrar na Assembleia Regional: "Sobre represálias políticas não comento". Provavelmente porque não têm importância...
Enfim. Foi uma vitória técnica de Portas, mais habituado a estas andanças e com sentido claro da mensagem que tem de passar. Manuela Ferreira Leite ainda teve tempo para um name-dropping dispensável ("Eu ontem estive com a Chanceler Merkel..."), mas a sensação que deixou foi a de uma professora muito aborrecida com um aluno que sabe mais do que ela.
(também publicado aqui)
Aqui ficam, para memória futura e sem prejuízo de análises posteriores, as nossas impressões em directo, ao longo do debate entre Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas.
(2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16), (17), (18), (19), (20), (21), (22)
II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII, XIV, XV, XVII, XVIII, XIX, XX, (post Match Report)
Impressões Telegráficas do debate MFL-Portas, Ponto Prévio, Prudência, Cautela e Caldos de Galinha, 20 minutos depois, Promessas, Rendimento Social de Inserção, Resumindo, II, III, Alegações Finais, Castelos de Areia
"foi um KO técnico" Ricardo Costa, SIC Notícias
15 a zero !!
Quando Paulo Portas já não podia responder, Manuela Ferreira Leite tentou lançar o boato de coligação PS com o CDS. Mas violando as regras Paulo Portas respondeu. E respondeu lembrando que são vários os dirigentes do PSD a clamar pelo bloco central.
Por amor à verdade ou não, aquilo que Manuela Ferreira Leite pede ao eleitorado é um cheque em branco. Ela logo preencherá, dia a dia, o que é que vai fazer no Governo. Mas esperava-se um pouco mais de alguém que afirma ser a única alternativa ao PS.
Manuela Ferreira Leite apenas nega o Bloco Central se for Presidente do PSD. E se, para efeitos de Bloco Central, Manuela Ferreira Leite se demitir?
O CDS está no arco da governabilidade de pleno direito. Manuela Ferreira Leite reconhece-o. E o eleitorado de direita também.
Manuela Ferreira Leite demonstra um excelente sentido de humor! Convidem Manuela Moura Guedes para a RTP :)
Manuela Ferreira Leite diz que a democracia se avalia pelo número de eleições ganhas. O que faz de Alberto João Jardim, de facto, o maior democrata português.
Curiosa esta recente paixão de MFL pela Madeira de Alberto João Jardim... só pode ser a tal "Política de Verdade" que apregoam...
"eu impus esses debates" MFL
"em democracia nada se impoe" PP
Manuela Ferreira Leite pode tentar emendar a ida à Madeira. Mas não consegue. E não consegue responder aos exemplos dados por Paulo Portas de asfixia democrática na Madeira.
MFL não faz a minima ideia de que políticas quer para controlar o crescimento exponencial da criminalidade.
O PSD é ambiguo na segurança, logo um dos maiores problemas nacionais e sempre inerente a crises económicas.
O CDS é claro.
Há dúvidas ?
Alberto João Jardim foi despromovido a poeira.
"as pessoas não podem morrer antes de encontrar emprego"
Com esta atitude do PSD no poder e com a falta de vontade de enfrentar os incentivos a não trabalhar via RSI, não tenho dúvidas que as hipoteses de sobrevivencia diminuem drasticamente...
Se a agricultura e a industria está morta, não é com incentivos à não-produtividade que se vai resolver.
Há mão-de-obra disponível ? vamos subsidia-los a não trabalhar !
Manuela Ferreira Leite ainda não apresentou uma única proposta de reforma do RSI.
Manuela Ferreira Leite não se compromete com modificação do ordenamento penal português e não apresenta uma qualquer proposta concreta em matéria de segurança.
A resposta à emergencia social em que o País se encontra do PSD é o RSI.
(!!!!!!!!!!!!!!!)
Manuela Ferreira Leite parece acreditar que só quem recebe (e todos eles) o RSI é que está em situação de miséria.
Tradeoff entre RSI e pensões ?
RSI em géneros ?
RSI implica gasto de 500milhões / ano e tem fraude 25% com a inspecção que todos sabemos como funciona.
E PSD não quer mudar.
Paulo Portas apresenta propostas concretas para reformar o Rendimento Social de Inserção.
Ah ! o RSI, finalmente!
PSD copia uma das políticas bandeira do CDS. Aqui já vai no bom caminho... mas não acha que é financiamento à preguiça. Cá está o medo de clareza do Centrão.
Manuela Ferreira Leite tenta fingir que o PSD diz sobre o Rendimento Social de Inserção o mesmo que é dito pelo CDS, só que sem chamar de subsídio à preguiça.
MFL conta com os estabilizadores orçamentais para aumentar receita:
1) não vai mexer no grave problema do lado da despesa.
2) está a contar com crescimento com emprego.
Ambas estão erradas.
(e ja agora, a Alemanha não é Portugal)
Manuela Ferreira Leite conta, em pouco tempo, com a redução do desemprego para compensar a redução da TSU. Isso é uma promessa?
Manuela Ferreira Leite não consegue explicar como compensa a redução da TSU. E chega mesmo a falar de incentivos (públicos, imagina-se) para ajudar as empresas.
Agora tive medo: MFL não está preocupada com o PEC e as políticas de estabilização orçamental dos países da UE e da zona Euro. Num mercado eficiente, ao ser eleita, esta Sra estava a implicar uma subida de 0,50% do risco de crédito da Republica.
MFL quer discutir o conceito de "ambiguidade". Afinal a sra é prof. de Filosofia !?
Oh Manela, então o pagamento de juros do Estado quando se atrasa está ou não está no programa do PSD!? Decida-se ! (ou leia o seu proprio programa....)
Eu facilito-lhe a vida: não está !
"os impostos nao se baixam quando se quer, baixam-se quando se pode" MFL
Ora, muito bem, lá se foi a política fiscal para a gaveta, afinal não é uma variavel de intervenção do Governo. Boa sra. prof. doutora.
Manuela Ferreira Leite faz da redução da TSU o seu cavalo de batalha, como se esta redução não implicasse, também ela, uma necessidade de reacerto das contas públicas e não agravasse o défice.
"nao minto nem engano os eleitores" MFL
Por isso nao se compromete com nada.
Manuela Ferreira Leite tenta insinuar uma polítca fiscal de redução de impostos, sem afirmar que os vai reduzir. Qualquer coisa parecida com ambiguidade, de facto.
Impostos, segurança, política europeia, pensões e RSI.
Eis as diferenças. CDS é claro, PSD é comprometido e obscuro.
Como é evidente, esta coisa de começar pela táctica foi começar pelo fim, e impediu os dois candidatos de serem claros nas respostas.
Judite de Sousa parece o Martins dos Santos. Cartões amarelos e vermelhos por todo o lado, mas sem qualidade de arbitragem.
Paulo Portas assume, mais uma vez, que o CDS não está, perante o PS e PSD, à mesma distância.
MFL começa com auto-golo. Portas acaba de dizer que o seu principal adversário é o Eng. Socrates e MFL atira-se a Portas dizendo que para o CDS é indiferente quer ganhe PS ou PSD.
Manuela Ferreira Leite diz que não precisa de votos do CDS para ganhar.
"PSD nao precisa dos votos do CDS para vencer o PS"
"O objectivo é impedir que JS vença as proximas eleições"
MLF a abrir o debate, que pelo tom, parece que vai ser bastante calmo.
Manuela Ferreira Leite tem como objectivo ser a próxima primeira-ministra de Portugal e para isso, afirma, precisa de ter mais votos do que o PS. Não é bem verdade, mas Judite de Sousa não sabe.
Portas inicia o debate a diferenciar o CDS do PSD. A marcar o tom inicial do debate. Longe, mas perto. Perto, mas longe.
E este debate começa com a táctica em vez de começar com as políticas. É o primeiro debate a começar - e não a terminar - por alianças.
Chegou a hora da verdade. PSD e CDS são diferentes. E muito. MFL é uma líder pouco convicta e pouco motivadora, que nem sequer o seu partido conseguiu unir (quanto mais os portugueses); defende ideias pouco concretas acerca da solução para os problemas do país e acena com um ar tatcheriano, todavia sem as virtudes da honorabilissima Dama de Ferro. Para além do mais, demonstra mais uma vez o pantano ideológico de onde o PSD nunca saiu (alias, onde se formou) ao misturar indefinições de caracter social, com ideias soltas liberais, apresentadas sob um manto de conservadorismo torpe e até - permitam-me - barato.
Ao invés, Portas surge no auge do seu desenvolvimento como político, com ideias bastante concretas e focadas de como intervencionar os variadas zonas críticas que estão na base dos principais problemas nacionais. Finalmente, foi possível notar uma onda de fundo no CDS, mas acima de tudo para CDS de eleitores que veem nas ideias apresentadas mérito suficiente para merecer a responsabilidade do seu voto. O conservadorismo dos valores não colide com a convicção de que é através da economia de mercado livre, mas regulado, que está a verdadeira solução e a fonte de prosperidade do Séc.XX e até aos nossos dias.
Com o centrão voltaremos a ter comprometimentos, compadrios e muitos jobs e despesismo. Como, alias, sempre foi. Está na hora de dar ao País a responsabilidade de um CDS com peso.
Francisco Louçã bem tenta falar aos socialistas descontentes. Mas Louçã já os enxotou quando confrontado por José Sócrates.
Sócrates não larga a classe média neste debate. E ganha pontos. Não porque a classe média tenha o que lhe agradecer, mas porque o Bloco de Esquerda há muito que não pensa senão nos Amorins.
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